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Selecionado Brasileiro de Football

18/05/2009
Seleção Brasileira de Dunga

Seleção Brasileira de Dunga

A contratação de Adriano pelo Flamengo e o bom futebol de Ronaldo jogando no Corinthians.

Dois dos mais importantes acontecimentos futebolísticos do país em 2009.

Isoladamente, já seria assunto relevante, mas de um modo geral, fazem parte do atual bom momento vivido pelo futebol verde-amarelo.

Temos o Inter de mais de 80 gols, o desempenho dos times brasileiros na Libertadores, a disputa pelo Prêmio Friendenreich, que se tornou inesperadamente popular e ajuda a tornar atacantes anônimos conhecidos para o público brasileiro, como fazia o “Gols do Fantástico” no passado.

Curiosamente, mas não de forma inesperada, todos esses assuntos têm culminado num outro um pouco mais delicado: Seleção Brasileia.

Ronaldo pode voltar, como tanto deseja a Rede Globo. Se não jogar pior que Josiel, Adriano deve pintar. Nilmar, há anos o mais talentoso ofensivo brasileiro, deve ganhar uma chance. Temos ainda as novidades de Dunga como os goleiros Felipe(Corinthians) e Victor(Grêmio), que ambos os clubes já declararam como confirmados pela CBF na próxima convocação, substituindo o lesionado Doni. Ainda sobre goleiros, existe a possível volta de São Marcos da Libertadores e o flamenguista Bruno, que pode pintar na lista graças a exposição dos três pênaltis defendidos na final do Campeonato Carioca e do milagre contra o Internacional pela Copa do Brasil.

Num terceiro escalão, segue a categoria de “aberrações”. Jogadores pouco conhecidos do grande público que, segundo rumores, andam sendo observados pela cúpula da CBF. Entre eles Hulk, centro-avante de 22 anos do Porto, Renato Augusto, 21 anos ex-Flamengo que joga no Bayern Leverkusen e Fábio Aurélio, lateral do Liverpool.

A CBF comemora.

É uma ótima oportunidade de trazer de volta o interesse do torcedor pela Seleção.

Interesse que há quase quinze anos, quando o Brasil se tornou tetracampeão, atingia a estratosfera.

Interesse que a CBF conseguiu transformar em descaso, indiferença e até em raiva.

Desinteresse provocado pela desmitificação da camisa.

Nesses quinze anos desde o tetra, a Seleção teve lá sua cota de fracassos dentro de campo. Campanhas vergonhosas nas Olímpiadas de 96, 2000, 2004(nem se classificou!) e 2008.

Mas não as derrotas que mancharam o brilho da Seleção. Derrotas, por mais duras que possam ser, fazem parte do futebol.

O que fere a alma da Seleção e gera o desinteresse do torcedor vai mais além.

O que gera desintesse são episódios como o da Copa do Mundo de 98. É ver Ronaldinho sumir em campo devido a uma obscura convulsão, não explicada até hoje.

E desde aquele fatídico jogo, a dúvida do papel do patrocinador – Nike – dentro da Seleção Brasileira.

O Brasil entregou o jogo à França? Improvável. Uma pergunta ridícula, inclusive. Mas a dúvida foi plantada e, do mesmo modo como não se pôde provar que o episódio foi apenas um problema de saúde de um atleta, não se pode hoje dizer com 100% de certeza que a Seleção Brasileira não esteve envolvida de forma mais profunda num episódio tão podre quanto este.

Assim como foi sujo ver o técnico da Seleção Brasileira V(W)anderlei(y)  Luxemburgo, metido em incontáveis trambiques, convocar jogadores de nível duvidoso para favorecer um esquema de venda de jogadores do qual fazia parte.

Mesmo após esses dois episódios, o Brasil ainda matinha alguma magia, embora já não empolgasse a geração que havia se encantado com a conquista do tetra. Dessa forma, venceu a Copa do Mundo de 2002.

O Brasil, mesmo sem o entusiasmo de outrora, estava novamente por cima. Pouco importava se os contratos de patrocínio divulgados pareciam longe do ideal, se os nomes de Ricardo Teixeira e da CBF eram ventilados aqui ou ali de forma negativa, com assuntos que nada tinham a ver com futebol, se o cenário do esporte no Brasil não tinha os cuidados exigidos…o time era pentacampeão, bons novos craques e atenção da mídia.

Após a saída de Felipão, a CBF trouxe de volta Carlos Alberto Parreira. Não era exatamente o nome que os brasileiros desejavam, mas era o técnico do tetra novamente convocando e dirigindo os melhores jogadores do país. Vencemos a Copa América com o time B. E a Copa das Confederações, espécie de prévia do Mundial foi conquistada com goleada em cima da Argentina.

E aí veio a Copa do Mundo de 2006.

A imprensa brasileira se gozava com o elenco brasileiro, o melhor desde 82 – talvez ainda superior ao time de Telê Santana. O “Quadrado Mágico” formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano encantava o imaginário popular. Era o termo perfeito para o Mundial, feito para ser a sensação de 2006, após as “Dinamáquinas” e “Laranjas Mecânicas” do passado. Um pouco antes do Mundial, Ronaldinho Gaúcho apareceu na capa da Revista Época com a absurda blasfêmia “Melhor que Pelé?” estampada na capa.

O fanatismo cegou a torcida brasileira e a maior parte dos veículos de comunicação.

Mas até o mais desatento dos observadores poderia prever que tudo sairia errado.

Os treinos foram transformados em festa. Abertos para a torcida, ganhavam ares de pelada de luxo, com cada jogada bonita sendo aplaudida e jogadores sendo tietados. Fãs invadiam o campo para abraçar os jogadores. Fazia-se de tudo, menos treinar.

O ataque titular do Brasil, entrou fora de forma. Aliás, fora de forma é exagero. Mais correto seria chamar de obesidade.

Ronaldo se apresentou com 95 kg em 2006, longe do ideal para uma pessoal de 1,83m. Adriano, um pouco mais leve, também passou longe da forma ideal. E os dois foram titulares absolutos na competição.

O grupo estava dividido. O mimado atacante Ronaldo questionava a concentração, afirmando o absurdo que era um jogador com sua conta bancária ficar trancafiado com a equipe.

Um grupo de jogadores “novos” na equipe, cobrava a titularidade, já que veteranos como Cafu e Roberto Carlos não se mostravam em seu ápice técnico.

E o técnico Parreira apenas observou.

Brasil-il-il na Copa da Alemanha

Brasil-il-il na Copa da Alemanha

Depois do fiasco contra a França, claro, todo mundo falou.

Todos se culparam, todos reclamaram, todos sabiam exatamente quais foram as falhas da campanha.

Faltou apenas fazer alguma coisa a respeito.

Na verdade, o que se viu foi apenas a consequência do trabalho malfeito da CBF.

Desde antes da competição, a “preparação” já se mostrava equivocada.

Para Ricardo Teixeira, valia mais apenas enfiar a Seleção para jogar contra timecos inexpressivos que contra adversários experientes, contra os quais a equipe poderia ser testada. Timecos inexpressivos, mas com dinheiro no bolso, bom deixar claro. E nada de jogar no Brasil, perto da torcida.

Após o fracasso, com a imagem pior que nunca, esperava-se uma reformulação. Muitos falavam em Felipão – desafeto de Teixeira – técnico durão, para botar ordem na casa e Paulo Autuori, técnico vencedor, Campeão Mundial pelo São Paulo em 2005, com imagem de vencedor. A CBF apresentou Dunga.

A imprensa e opinião pública foram unânimes: Dunga seria a marionete perfeita para a cúpula da CBF. Inexperiente, seria fácil manipular o treinador em prol dos interesses da entidade maior do futebol brasileiro.

O momento em que Dunga foi anunciado pode ser considerada a pedra fundamental da “Nova Seleção Brasileira”; o momento em que a Seleção Brasileira perde a identidade. Que a magia sumiu de vez.

Apenas o nome, Seleção Brasileira continua, embora com significado muito diferente.

E ainda ficou pior.

A Era Dunga, agora nos bastidores, já começou expondo o lado mais podre do futebol.

No que claramente se mostra jogada da CBF com empresários, o povo brasileiro teve que ver jogadores como o goleiro Doni(?) e Afonso Alves(???) vestindo a Amarelinha, enquanto jogadores de mais alta capacidade técnica brilhavam nos campos brasileiros, que devido a mudanças no mercado e aceitação do público pela fórmula dos pontos corridos, voltava a mostrar um cenário esportivo interessantes. Não graças a CBF, importante frisar.

Hoje a Seleção Brasileira é, de forma aberta, um palco de interesses.

Fulano é convocado porque empresários ligados a Ricardo Teixeira querem lucrar com sua exposicão, a Rede Globo faz lobby para Ronaldo para aumentar a audiência, jogos são disputados em cidades brasileiras cujos políticos influentes interessam de alguma forma ao Presidente da CBF.

E o futebol?

Infelizmente, foi deixado de lado.

A geração que se apaixonou por futebol com a conquista do tetra teve sua inocência arrancada a força. Quantos de nós ainda torcemos pela Seleção? Não digo assistir aos jogos, mas torcer mesmo, com paixão. Quantos de nós ainda realmente se importa?

Entre convocações absurdas, atuações patéticas e vitórias espetaculares, o futebol da Seleção Brasileira segue combalido, mas ainda vivo.

Infelizmente seguirá assim por muito tempo.

A CBF não consegue – ou não quer – enxergar as oportunidades que o mercado oferece para a Seleção Brasileira.

Entendam, a CBF não tem o menor interesse em explorar a  marca Seleção em prol do futebol brasileiro. Ricardo Teixeira não tem interesse no sucesso do futebol brasileiro.

Só resta ao brasileiro torcer pra que o alto comando da CBF mude. Não vai ser tão difícil assim. Já torcemos pelo time do Dunga, mesmo que apenas por hábito, podemos torcer um pouquinho por um raio, uma ordem de prisão, um acidente de carro, uma cobrança de dívida…

O atual bom momento do futebol atual será mal aproveitado pela CBF, sem dúvida. Mas pelo menos nos dá alguma esperança.

Felizmente temos o golaço de Nilmar, os times brasileiros na Libertadores, Ronaldo no Corinthians, Adriano no Flamengo…fica bem mais fácil de esquecer da Seleção.

E fica a pergunta: será que Ronaldo vai ser convocado após falar mal do Presidente da CBF?

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Já que o post é sobre Seleção, segue a título de curiosidade uma pequena lista de “aberrações” cometidas por ex-técnicos da Seleção:

Parreira(1993): Foi responsável pela única partida do simpático Wilson Mano(Corinthians) pela Seleção. Também apostou no volante Luisinho(Vasco).

Luxemburgo(2000): Escalou Élber(!) e Jardel(!!) juntos contra a Colômbia, deixando Ronaldinho e Edílson no banco.

Leão(2001): Convocou e deu a faixa de capitão ao volante Leomar, do Sport.

Felipão(2001): Convocou e pôs pra jogar o meia Esquerdinha, do Santos.

Fonte: Revista Placar, ED 1320, julho de 2008.

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E pra finalizar, mais uma sobre a CBF:

Palácio de Munchausen

Maio 18, 2009 by Paulinho

A CBF construirá um palácio na Barra da Tijuca.

O orçamento inicial é de R$ 60 milhões.

Dinheiro que deveria ser utilizado para beneficiar os clubes, que são os verdadeiros donos da entidade.

Há também, em estudos, um projeto para a construção de um hotel da CBF.

O Barão de Munchausen está insaciável.

E os clubes, na miséria.

Fonte: http://blogdopaulinho.wordpress.com/

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6 comentários

  1. Perguntinha cretina: que rei é que vão colocar no tal palácio? A gente nem tem mais rei, ou eles vão construir algum?


    • É o único palácio do mundo que tem 180 milhões de bobos da corte e nenhum rei.


  2. Que tijolo, Bitan…

    Vale lembrar ainda que com a proximidade da Copa no Brasil a CBF já começou a renovar patrocínios e a ganhar ainda mais dinheiro. E o nosso futebol, cada vez mais pobre.

    E coloca aquele vídeo da Quilmes pra Seleção Argentina pra mostrar o que é uma camisa que ainda emociona um povo.


  3. Concordo com quase tudo. Só uma coisinha: o time de 2002 ganhou a Copa com muito mais autoridade que o de 94. Abraço!


    • Sem dúvida, por isso mesmo que 94 foi mais emocionante, além de ter sido pré-pipocada 98.


  4. dunga não coloca o ronaldo na seleção pra que nos não perderca de novo



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