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Estônia 0 x 1 Brasil

12/08/2009

Mesmo desencantado com o Selecionado, resolvi entrar no espírito do jogo.

Escarafunchei meu armário atrás da camisa 9 de Ronaldo, da Copa de 2006, a fim de ficar devidamente trajado para acompanhar a partida.

Para meu espanto, minha figura se viu extremamente bem configurada sob a veste da jérsei do Ronaldo Fenômeno. Nem lembrava. A derrota vexaminosa na Copa de 2006 me fizera abdicar do uso regular da camisa. Mesmo no período em que vivi nos Estados Unidos, quando nos permitimos arroubos de ufanismo, abidquei de fazer muito uso da Amarelinha.

Ainda assim, minha indumentária encontra-se em estado de considerável avaria. Além de um fio solto, bem no meio, abaixo do 9, ainda tive um infeliz acidente na lavanderia, quando a secadora não cumpriu com sua tarefa e deixou muitas roupas úmidas, marcando-as para sempre com rugas que, temo, desafiarão a eternidade.

Como na maioria das vezes em que eu dou crédito ao Selecionado, me decepcionei. Não vou considerar os fatores de bidiculosidade que pesaram na magra vitória do Brasil. Pouco importa se o campo era pequeno, se o jogo não valia nada, se o adversário foi excessivamente violento; um a zero contra a Estônia é muito pouco.

Assisti a um vídeo da Seleção de 82 na Copa antes da partida. Foi um erro. Ver Zico, Sócrates, Júnior e Falcão apenas criou falsa expectativa. Esperar de Robinho uma atuação com dribles e jogadas de encher os olhos é semelhante a se excitar com um filme pornô de lésbicas  antes de entrar num colégio internato só para garotos: tu fica na mão.

Porra, tá certo que a marcação era ostensiva, que a Estônia – como o Galvão lembrou umas trezentas vezes – jogava o jogo da vida deles, amiiiiigo… será que não dava pra um desgraçado ali entrar driblando pelo meio pra abrir a retranca?

Não pude ver o primeiro gol brasileiro, pois estava atendendo o homem do gás. Sujeito simpático. Espantoso ver que existia naquele profissional a sabedoria para entender e tecer críticas bem embasadas sobre recentes cagadas do Governo Lula. Segundo o homem do gás, se a Dilma vencer a eleição, aí é que fode tudo. Cara legal. E aí foi o gol do Luís Fabiano.

No segundo tempo, já após a partida do homem do gás, o jogo continuou uma merda. Teve lá seus momentos. Tardelli entrou bem. Isso pelo menos dá pra elogiar nesses jogadores com sangue de barata: uma partida, para eles, é apenas uma partida. Não costumam pipocar. Ficam de putaria, mas daí é de propósito. Com vontade, jogam em qualquer situação.

No final, o Selecionado ainda levou um sufoco. Que vexame seria ter tomado o gol. Ainda bem que não saiu. Ficou barato. Engraçado foi a torcida aplaudindo o cartão amarelo que o juiz deu pro Nilmar por simular um pênalti.

O Brasil precisa de um lateral-esquerdo melhor que o André Santos. Convém um time de pretensões internacionais angrariar recursos ao escrete, assim sendo, um lateral deve saber apoiar o ataque e completar a defesa. André Santos não faz nenhum dos dois. É um devolvedor de bolas. Não se destaca marcando nem consegue criar jogadas de ataque. Não compromete, mas também não acrescenta nada.

O futebol deve ficar mesmo para a partida contra a Argentina. É do costume do Selecionado do Dunga e da CBF se apresentar esportivamente num nível mais elevado apenas contra adversários de calibre. Tão devendo muito. Até lá, vamos digerir a pelada de hoje e fantasiar mais um pouco com o futebol de Zico e com as lésbicas do mundo do entretenimento adulto.

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