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Fim dos Tempos

14/08/2009

Assisti apenas hoje o tão mal falado filme de M. Night Shayshalamamlamam. A maioria das pessoas tinha me dito que não se tratava apenas de um filme ruim, mas de uma bomba das mais qualificadas. A película não havia instalado em mim nenhum tipo de desejo que me fizesse investir mais de dez reais na sessão de cinema, fato que se somou com o péssimo boca a boca e postergou o assunto para quando ocorresse uma sessão gratuita.

Graças ao Telecine, a HBO de quem sonha em ter HBO, pude assistir ao Fim dos Tempos. Pensando agora, o título nacional meio que entrega o final do filme. O original é The Happening, algo como “o incidente” ou “o acontecimento” que é exatamente o que enxergamos na história até os dois minutos finais, quando temos certeza de que fudeu tudo, pra todo mundo.

Do nada, todo mundo começa a se suicidar. As pessoas apresentam algum tipo de desorientação, param o que estavam fazendo, às vezes dão uns passinhos pra trás, seja qual for o motivo e depois se matam. Já conhecia essa premissa e esperava um filme de final surpresa, estilo que marcou o diretor por causa de O Sexto Sentido. Mas não é assim. Passam o filme todo falando o que está por trás dessa sacanagem: as plantas. É cara, as plantas. Árvores, grama, mato… eu cheguei a ouvir algo referente ao enredo e pensava que a natureza tava fazendo a galiera se matar. Mas são as plantas mesmo. Bem fajuta, né?

Fica pior: elas meio que liberam uma toxina que atinge o “senso de autopreservação das pessoas”, ou seja, não temos mais preocupação com nosso bem estar e aí a gente simplesmente para todo confuso e se mata. Na verdade, não é EXATAMENTE assim que acontece, pois como o personagem do Mark Whalberg explica, a gente pensa, acha uma explicação e acredita nela, mas é apenas uma teoria. E essa, basicamente, parte do princípio de que, se as abelhas começarem a sumir, fudeu.

O filme é muito tenso e dá bastante medo, exatamente porque não existe um fato de nosso conhecimento em ação, mas sim um evento em andamento que é totalmente imprevisível e pode atingir qualquer um, de qualquer forma, ninguém sabe como. Aparentemente a melhor forma de escapar de uma crise semelhante seria se mudar para a casa do Mark Whalberg, porque só quem andava com ele não morria no filme.

Marky Mark, aliás, entrega uma interpretaçãozinha bem ruim, mas o personagem mesmo é mal construído. Pobre, sem um centímetro sequer de profundidade ou mesmo identidade. O mesmo serve para todos os outros personagens do filme, até pra guriazinha. Só John Leguizamo se sai um pouco melhor. Só que aí ele sai de perto do Mark Whalberg…

M. Night ficou conhecido por ser um diretor de grandes recursos, inclusive visuais, o que não é justificado nesse longa. Tem lá umas cenas bem feitinhas, umas boas sacadas, mas de resto – assim como o filme, num todo – parece tudo apressado, inacabado e feito com certo constrangimento. O que mais corrobora essa impressão é que o filme tem, sei lá, uma hora e vinte minutos, muito pouco, mesmo para um filme sobre Mark Whalberg fugindo de plantinhas.

O forte da direção é mesmo o medo, o clima de tensão, a insegurança de que aquela merda pode atacar a qualquer momento, qualquer um e te levar a fazer algo horrível e impensado.

Foi jóia assistir, mas não tãããão jóia. Teve muito pouco daquele “efeito Lost”, que é aquela sacada legal de suspense que te dá um frio na barriga e te faz pensar, mesmo não tendo a menor idéia do que possa ser. Porra, os caras logo entregaram que era culpa das plantinhas… assim, o resultado final é algo que fugiu muito do que o consumidor usual de cinema norte americano considera um bom filme e apresenta-se quadrado e pouco excitante para fãs de ficção e nerds em geral.

Recomendo que atentai-vos todos para a situação das abelhinhas, pois se elas começarem a sumir, temos que começar a queimar as plantas. Ou morrer tentando. Dã.

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One comment

  1. Ontem quando começou o Fim dos Tempos no Telefine eu tava mesmo pensando em como a tradução estragava o sentido original do título.

    A abertura do filme é sensacional, com aquela trilha e aquela tipografia, no maior estilão de filme antigo de Corujão. Do tipo que tu não conhece, pega de surpresa numa madrugada e acha do caralho.

    Aliás, acho que o filme perde muito do graça quando tu já conhece a história, sabe esse negócio das plantas. Eu fui assitir no cinema sem saber nada e foi muito legal, tu fica todo perdido no meio de um monte de teorias e informações incompletas, o que só aumenta a tensão.

    E o que eu gostei muito foi exatamente esse clima de tensão. Todos os filmes de terror e suspense são tão meia-boca hoje em dia, só conseguem assustar com susto de monstro, ninguém mais consegue criar um clima de verdade. E nisso o M. Night é craque, ninguém consegue fazer melhor.

    Concordo com o Bitan sobre os personagens, ficaram fraquinhos mesmo. Talvez um ator menos Menudo tivesse feito um trabalho melhor, mas não acho que teria feito tanta diferença assim. E a trama é meio boba, esse papo das plantas e tal…

    Daria um 7,5.



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