h1

A legalização da maconha(e de outras drogas)

09/09/2009

Esse assunto sempre ficou na minha cabeça, desde que uma professora fez um debate sobre a legalização da maconha lá na sétima ou oitava série. Não me manifestei em nenhum momento, apenas vi a turma que era a favor dar um banho no pessoal apático que era contra. Desde aquela época, entretanto, mantenho o mesmo posicionamento sobre o assunto: sou contra a legalização da maconha e de qualquer outro tipo de droga.

Simples e direto: quem é a favor, ou consome ou ganha dinheiro vendendo.

Incluo nessa definição nosso nobre ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Não sei se o pai do Real fuma ou vende, mas suas recentes declarações defendendo a legalização de entorpecentes mostram que, no mínimo, vossa excelência senhor presidente não pensou muito a fundo no assunto.

Aqueles que compartilham da mesma opinião do Presidente têm por hábito comparar o consumo de maconha/drogas com o consumo de bebidas alcólicas. Para mim, esse é o argumento típico do defensor consumidor. Exatamente naquela de “a minha droga é melhor que a tua”, como se estivessemos todos num grande jardim de infância aonde, ao invés de crianças, o recinto abrigasse idiotas.

Não se assuste quando, em algum tipo de discussão ou debate sobre o assunto, o defensor da maconha quiser te impressionar citando que “65% dos acidentes de carro acontecem com o motorista embriagado, enquanto que apenas – sei lá – 8% acontecem com o motorista sob o efeito de drogas”. Isso quer dizer o que? Que as drogas são inofensivas? Que o alcool mata mais que a maconha, que a cocaína? Não! Já parou pra pensar que talvez a bebida seja responsável por mais mortes exatamente porque é uma “droga” legal? E que as estatísticas em torno das mortes causadas por motoristas drogados aumentaria com a legalização?

E é exatamente isso. Tu já parou pra pensar que o acesso legal às drogas tornaria seu consumo um hábito normal, como é dirigir embriagado? A diferença é que, enquanto uma pessoa pode tomar duas cervejas ou um copo de whisky, apreciar a bebida e dirigir bem, não existe um número seguro de baseados ou pedras de crack pra tu fumar, ou carreiras de cocaína para cheirar. Não existe “sóbrio” no uso de drogas. A diferença na quantidade consumida se divide entre chapação e overdose.

O papo de “todo mundo usa” é balela. Em média, das pessoas que eu conheço, talvez a cada quarenta UMA seja uma usuária regular de drogas. A sociedade, ou pelo menos a classe média da segura cidade catarinense aonde vivo, segue prosperando com uma juventude sadia. Eu pergunto: com o acesso legal às drogas, esse cenário se manteria dessa forma?

É preciso entender que o uso de drogas vem muito do hábito, da iniciação, do gosto pela primeira experiência e do que isso te causa. Na minha juventude, não era fácil arranjar drogas. A maioria das pessoas da minha geração não seria capaz de conseguir um baseado quando bem entendesse. Por que? Porque era ilegal. Porque o acesso era difícil. Foi esse empecilho que impediu que a grande maioria das crianças da minha idade consumisse drogas – com uma parcela dessas pessoas se tornando viciados na vida adulta. Porque se por acaso acontecesse, um baseadinho de 1cm todo babado não serviu para seduzir as jovens mentes virgens de experiência.

Dá pra entender aonde eu quero chegar? Apenas imagine seu filho comprando um maço de maconha.

Também não acredite naquela besteira de “tem que legalizar, hoje em dia qualquer um consegue quando quer mesmo…” Se consegue quando quer, pra que legalizar? Para favorecer uma certa classe de pessoas.

Vou te contar um segredinho: sabe aquelas pessoas que a gente vê quando tem notícia de tiroteio na TV, os do mal? São o que a gente chama de bandidos. Eles matam, roubam, corrompem criancinhas, matam criancinhas… então, os traficantes, exatamente aqueles que vendem as drogas, que ganham dinheiro com elas, são bandidos. E, por incrível que pareça, ele não são pessoas boazinhas. São malvados. Legalizando as drogas, instantaneamente uma nova indústria química milionária entra em ação no mercado. E quem seriam diretamente os principais beneficiados? Sim espertão, os traficantes.

Imagina o seguinte quadro: a maconha é liberada, as outras drogas mais pesadas não. Os traficantes começam a ganhar dinheiro honestamente, a pagar imposto e se tornam nobres empresários respeitados pela sociedade – exatamente que nem teu pai, aquele microempresário fudido que trabalha que nem um cavalo pra te botar na escola – eles parariam de continuar traficando crack, cocaína e heroína? Ou usariam o trabalho legal apenas para esconder o ilegal e ter mais vantagem e mais dinheiro para abastecer o tráfico pesado?

Porque saiba que o objetivo do traficante não é te fazer feliz. É te viciar, te fuder. Porque tu acha que um tubo de lança perfume custa R$ 40,00 enquanto uma pedra de crack custa R$ 5,00? Porque os traficantes são bonzinhos? Não animal, porque com uma pedra de crack eles conseguem barato teu aparelho de som, teus DVDs, teu computador, teu carro… acorda, porra!

Tem que ser muito burro, ou como eu disse, consumidor, pra achar que a legalização acaba com o tráfico. Dica: quando te falarem alguma coisa, como “a legalização acaba com o tráfico” não apenas aceite. Se imagine nessa realidade. Faça de conta que está numa Câmara de Vereadores: coloque a idéia como se fosse um projeto de lei que precisa passar pelas comissões permanentes da Casa para ser aprovada; estude o impacto financeiro, jurídico, ambiental que essa lei causaria na sociedade. Aí sim abre a boca pra falar.

Por mim, erradicava todos os tipos de droga do mundo. Proibia essas merdas, queimava tudo, jogava fora. Não me faria a menor falta(talvez o grande problema seja exatamente esse). Para mim, drogas são absolutamente desnecessárias. No dia em que quiserem proibir bebida alcólica, aí sim eu vou militar, lutar com todas as forças contra a proibição e estocar o máximo que eu puder. Dica: aprenda a gostar de “drogas” liberadas. Entre aspas, porque bebida não é droga.

Não vou dizer “diga não às drogas”, sou realmente um grande hipócrita bêbado que gosta muito de beber, do estado ébrio, de cerveja, chopp, whisky e vinho. Não me incomodo com pessoas que usam droga – sei que é divertido – desde que não sejam viciados deprimentes, doentes e aidéticos. Só que eu odeio bandido, vagabundo e viciadinho que explora mulher, criança e rouba o dinheiro que tu se fudeu pra ganhar trabalhando honestamente.

Me sinto completamente desconfortável vivendo num mundo inseguro à mercê de pessoas ruins que querem fuder com todo mundo. Vivemos no mesmo Brasil e, se de repente a droga foi legalizada aqui, eu me fodo junto.

E isso sim me incomoda pra caralho.

Anúncios

4 comentários

  1. […] episódio ilustra bem o que eu falei no meu post sobre a legalização das drogas: quem defende ou é usuário ou ganha dinheiro […]


  2. porque a ilegalização da maconha?


  3. Esta gente a favor da legalização das drogas das duas uma: ou nasceu com um nº muito reduzido de neurónios ou já os destruiu (com o consumo excessivo de drogas)…

    A legalização das drogas seria uma estupidez!!

    Eu, como promissor político corrupto, traficante sexual e pedófilo (patologia que não consigo controlar), tenho naturalmente todo o interesse que o sistema de justiça continue a ser sobrecarregado devido ao combate ao tráfico de droga… afinal tenho tanto direito de passear livremente pelas ruas como qualquer pessoa, ou não? (Quem nunca pecou que atire a primeira pedra)
    E, como nós só somos felizes quando os que estão à nossa volta também o são… como estou à vossa volta e estou feliz você também sente o mesmo 😉


  4. Quem quer fumar, fuma, quem quer cheirar, cheira, quem quer beber, bebe. É, no final das contas, um direito do indivíduo. E quanto mais nossos governantes ignorarem esse fato, mais continuaremos tentando reprimir a natureza com a força policial, mais alimentaremos um tráfico ilegal que rende milhões ao crime organizado ao invés de permitir um comércio legal, regulamentado, que seria muito mais produtivo para toda a sociedade.

    É estupidez separar o álcool de outras drogas. É tanto droga quanto qualquer outra. E muito mais danosa que inúmeras drogas ilícitas. Assim como o cigarro. A distinção na lei é injustificada, não tem embasamento científico nenhum. Quem, com um mínimo de informação, vai dizer que maconha é mais prejudicial que álcool?

    O fim da hipocrisia e a legalização de todas as drogas é inevitável. A proibição é uma falha em todo o mundo. O papel da proibição é literalmente garantir o lucro de bandidos, que veêm no comércio de drogas um mercado multi-milionário e livre de impostos. Já chega de guerra!



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: