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O Homem Bicentenário: eu só quis dizer…

29/12/2009

Depois do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Gênio Indomável, Robin Willians desandou a fazer filme ruim.

Praticamente todos – e por “praticamente” eu quero dizer “exatamente” – foram realizações mal sucedidas em que Willians apresentava uma atuação não menos que desastrosa.

Uma das películas realizadas nessa época foi O Homem Bicentenário. O título faz menção ao personagem de Willians, o robô Andrew, ter “sentimentos” humanos e viver pra sempre por ser uma máquina.

Na verdade, o filme deveria se chamar Se Meu Dildo Falasse.

A história mostra uma família comprando o tal Andrew. Aparentemente, no futuro, é moda comprar robôs para perambularem dentro de casa enquanto a família questiona sua utilidade e zomba dele.

Aí, ele mostra que é diferente, por ter sentimentos humanos, como compreensão e até… amor.

O que tira o enredo da pieguice é que a filha do casal se apaixona pelo robô. Isso mesmo, ela se apaixona. E não é por um robô humanóide não, é mesmo por esse bonecão de aço inox que tem na capa do filme.

Isso já faz a gente pensar.

Mas ele não pega. Ainda.

Décadas se passam, o robô fica mais inteligente, mais humano, ganha uma carcaça que imita pele e se apaixona pela tataraneta(ou algo assim) da outra lá que se apaixonou por ele. E ela se apaixona pelo robô. E eles casam e vivem felizes pra sempre, até ela morrer e ele pedir pra ser desativado pra morrer junto com ela.

Muito pode se falar ou filosofar sobre a humanidade – ou não – do robô, sua capacidade de amar, etc. Mas não há necessidade. A questão é simples.

O robô Andrew é o homem perfeito.

Ele combina a sensibilidade de um poeta com a voracidade sexual de uma Sybian machine.

Tudo o que ele tem são os sentimentos: ele ama, vê beleza e fica maravilhado. Mas não fica de mau humor, não repara em celulites nem em gostosas aleatórias na rua.

Ele, aliás, não liga pro aspecto físico ou biológico do sexo. É um apenas um dildão: a mulher só tem que ter vontade, ligar e desligar quando quiser. Ele simplesmente não vai se importar, vai até ficar feliz por ter sido útil. Além de que a idade da mulher não interfere na performance de Andrew, que também não broxa, não tem ejaculação precoce nem pega DSTs.

E sabe qual é o pior? Além de ser um orgasmo ambulante, o filha da puta do robô ainda ganha dinheiro. Muito dinheiro.

Ele tem a habilidade de esculpir madeira e outras coisas, fazendo uma série de relógios de parece lindos e caros. Como ele não precisa de dinheiro, adivinha quem é que fica com todo o arame das vendas? A mulher do Homem Bicentenário…

É muito capaz que os produtores, o roteirista ou mesmo o criador da história não tenha enxergado as obviedades de seu enredo, acreditando que o espectador ia mergulhar num sonho filosófico sobre o que é, de fato, ser humano.

Pois O Homem Bicentenário nos prova que qualquer um pode ser humano, mas apenas uma máquina pode ser um amante eficaz, incansável e um provedor competente e eterno.

Humanos de carne e osso, com data de vencimento, incapazes de ser uma máquina de orgasmos múltiplos e caixa eletrônico, sacos de ossos e merda se tornarão obsoletos no futuro mostrado em O Homem Bicentenário. A não ser, claro, para fins de reprodução. Mas numa vida cheia de orgasmos com dildões ricos e amorosos, isso seria realmente necessário?

Como homem, sugiro que os cientistas continuem trabalhando em tecnologia de guerra, criando robôs assassinos com o intuito de matar, destruir e com grande poder de fogo.

O Exterminador do Futuro e Matrix apresentam uma perspectiva muito mais confortável do uso de robôs no futuro.

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One comment

  1. Cara, na verdade o final do filme é muito mais palha.

    Instalam nele um dispositivo (ou um vírus, sei lá) que fez com que o corpo dele se deteriore como o dos humanos. Aí o Robin Willians morre antes da esposa.

    Segundos depois, os burocratas malvados entram em contato com a mulher dele, dizendo que finalmente o Homem Bicentenário seria reconhecido como ser humano. Daí tá ele morto na cama e a esposa dele toda ameixa do lado “ah, que bom, ele ficaria muito feliz em saber disso…”.

    Final bundão como todo o filme.



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