Archive for 19 de fevereiro de 2010

h1

Novos uniformes do Flamengo

19/02/2010

Hexacampeão brasileiro reconhecido pela CBF

Foram lançados na manhã desta sexta-feira os novos uniformes do Flamengo.

Como novidades, a alteração do design das camisas de jogo, o patrocínio da BMG nas mangas – o da Batavo já vinha sendo usado – e o escudo da CBF com os dizeres “hexacampeão brasileiro”.

Muitos já reprovaram o novo modelo mesmo sem saber como ficaria, pelo simples fato de que temiam que o Manto se torna-se um abadá, como o uniforme do Corinthians por conta dos novos patrocinadores. Isso não aconteceu.

A presença da BMG e nem mesmo da Batavo comprometeu a beleza das camisas. Temos que ser bem francos nessa avaliação. Só na cabeça de torcedor iludido que acha que Zico tinha que ser presidente do clube é que patrocínio atrapalha. O que é melhor, ficar com o “Lubrax” que já acostumou sem receber dinheiro da Petrobrás ou embolsar uma quantia justa e considerável por expor uma marca – exatamente o que patrocínio significa?

Sim, o Batavo é grande e azul. Sim, o BMG é laranja. E daí? É o Manto! E mais que isso, é um novo capítulo da parceria com uma empresa de material esportivo que respeita o Flamengo e valoriza o clube. Bem diferente da negligência da Nike, que pagava uma miséria e ainda deixava faltar material.

A OLK vendeu mais de 1,2 milhões de camisas em menos de seis meses no ano passado, recorde absoluto no Brasil e valor considerado alto até para os padrões internacionais.  Muito mais do que a Nike conseguiu em anos de contrato.

Isso fez parte da valorização da marca Flamengo. E dentro desse contexto o patrocínio é de importância primordial.

Não adianta fazer bico porque achou feio. Isso é o mercado, é a realidade. O Flamengo poderia usar a camisa toda limpa, sem patrocínio nenhum. Só que aí não ia ter Adriano, não ia ter Vagner Love. Valeria a pena um time sem grandes nomes em troca de uma camisa mais bonitinha?

Pode não ser o uniforme dos sonhos. Flamenguista é bem saudosista nesse sentido e gosta de sonhar com a volta das camisas da década de 80. Não vai acontecer. É hora mesmo de olhar pra frente, é besteira ficar copiando os modelos antigos apenas por nostalgia.

Eu acredito que seja possível fazer uma camisa mais bonita que essa. Fácil, fácil. Mas gostei. A única coisa que desagradou foram eses triângulos em cima dos ombros. Se é pra lembrar uma gola à moda antiga, que se faça então uma gola à moda antiga e não um desenho parecido.

Esses são os Mantos de 2010. Que tragam boa sorte.

h1

Queda de Muricy e a supervalorização dos técnicos

19/02/2010

Recentemente escrevi um texto criticando a supervalorização dos técnicos no futebol brasileiro.

Por supervalorização entenda-se os salários milionários e a fama de “craques” que decidem partidas.

O dia de ontem apenas deu razão à minhas palavras. Muricy foi demitido pelo Palmeiras.

Alguém realmente acreditava que daria certo?

Não digo nem pelo fato da identificação do Muricy com o São Paulo. São inúmeros os casos de jogadores e também treinadores com fortes ligações com algumas equipes que assumem rivais com e obtém êxito.

O grande problema foram as circunstâncias.

O Palmeiras havia passado por um período turbulento nas mãos de Vanderlei Luxemburgo.

Dedo da Traffic em todos os setores do time, contratações fracassando, má fase e venda de Keirrison, eliminação da Libertadores.

O time ficou exposto, desgastado, desunido. E aí entrou Jorginho.

Jorginho ganhava um décimo do salário de Luxemburgo. Não tinha holofotes, não gostava de aparecer e, mais importante, tinha a simpatia de todo elenco. O time embalou e engatou uma série de vitórias. Problema resolvido?

É claro que não. A parte burra da cultura boleira reza que time grande precisa de técnico de nome. Jorginho, barato, sem nome bonito, terno de grife e currículo era uma aberração para a maioria dos dirigentes do Palmeiras. E aí entrou Muricy.

Por mais contraditório que possa parecer, o Palmeiras contratou Muricy para que ele tentasse fazer o que Jorginho já vinha fazendo, só que pagando 500 mil reais a mais por isso.

Entre resultado e grife, o Palmeiras escolheu o segundo. E os resultados foram pro saco. O time deixou de ser campeão brasileiro, conseguiu ficar de fora da Libertadores e ocupa hoje a oitava posição no Campeonato Paulista.

E aí, os mais de 500 mil reais mensais de salário serviram pra que?

Quando um time contrata um craque de nome – e caro – para jogar, espera-se que dentro de campo ele influencie positivamente o resultado das partidas.

Um atacante marca gols, um zagueiro arruma a defesa… pelo o que, jogo após jogo, qualquer um deles mostra, a idéia incial quando trazemos um atleta de nome, é que vale a pena. E quanto ao treinador?

Ele monta e escala a equipe, treina o time, escolhe o elenco. Tem lá esquema táticos e filosofias de trabalho, mas a verdade é que se os bons jogadores estiverem em dias ruins, o time provavelmente vai perder, independente do que o treinador faça.

Num universo em que existe tanta agressividade velada e trairagem entre marmanjos, vale mais a pena investir em alguém que o elenco todo admire e goste. Aquele cara que os jogadores se reúnem e o capitão fala “vamos lá, vamos ganhar. Pelo professor!”. E esse cara, no Palmeiras, não foi Luxemburgo nem Muricy. Foi o Jorginho.

Aí é apenas o fato de ser bem sincero: técnico de futebol, salvo raríssimas excessões, é mais uma questão geográfica – estar no lugar certo na hora certa – que técnica.

Por esse motivo, não se justifica de forma alguma pagar meio milhão de reais pro cara que fica gritando na beira do gramado quando existem Jorginhos que conseguem muito mais apenas porque trabalham sérios e quietos para a mídia e como ursinhos carinhosos para os mimados jogadores.

Andrade, o técnico campeão brasileiro foi o maior exemplo. A demissão de Muricy o segundo. Não acho que seja preciso mais um.

Para os torcedores do Palmeiras, a demissão – e contratação de Antônio Carlos – é só mais um dos vários erros cometidos por Belluzzo a frente do Verdão. Muitos alardearam as capacidades do presidente, santificaram sua imagem. Alguns, iludidos, ainda acreditam que foi o meio que interferiu na capacidade do profissional. Isso é um erro. O que aconteceu, embora difícil de admitir é simples: pura incompetência administrativa.

Belluzzo mostra despreparo total para comandar um meio em que as teorias ficam de lado, enquanto predominam a política de interesses e o (mau)caráter humano.

Muito diploma, nenhum que o tivesse preparado para o futebol.