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Queda de Muricy e a supervalorização dos técnicos

19/02/2010

Recentemente escrevi um texto criticando a supervalorização dos técnicos no futebol brasileiro.

Por supervalorização entenda-se os salários milionários e a fama de “craques” que decidem partidas.

O dia de ontem apenas deu razão à minhas palavras. Muricy foi demitido pelo Palmeiras.

Alguém realmente acreditava que daria certo?

Não digo nem pelo fato da identificação do Muricy com o São Paulo. São inúmeros os casos de jogadores e também treinadores com fortes ligações com algumas equipes que assumem rivais com e obtém êxito.

O grande problema foram as circunstâncias.

O Palmeiras havia passado por um período turbulento nas mãos de Vanderlei Luxemburgo.

Dedo da Traffic em todos os setores do time, contratações fracassando, má fase e venda de Keirrison, eliminação da Libertadores.

O time ficou exposto, desgastado, desunido. E aí entrou Jorginho.

Jorginho ganhava um décimo do salário de Luxemburgo. Não tinha holofotes, não gostava de aparecer e, mais importante, tinha a simpatia de todo elenco. O time embalou e engatou uma série de vitórias. Problema resolvido?

É claro que não. A parte burra da cultura boleira reza que time grande precisa de técnico de nome. Jorginho, barato, sem nome bonito, terno de grife e currículo era uma aberração para a maioria dos dirigentes do Palmeiras. E aí entrou Muricy.

Por mais contraditório que possa parecer, o Palmeiras contratou Muricy para que ele tentasse fazer o que Jorginho já vinha fazendo, só que pagando 500 mil reais a mais por isso.

Entre resultado e grife, o Palmeiras escolheu o segundo. E os resultados foram pro saco. O time deixou de ser campeão brasileiro, conseguiu ficar de fora da Libertadores e ocupa hoje a oitava posição no Campeonato Paulista.

E aí, os mais de 500 mil reais mensais de salário serviram pra que?

Quando um time contrata um craque de nome – e caro – para jogar, espera-se que dentro de campo ele influencie positivamente o resultado das partidas.

Um atacante marca gols, um zagueiro arruma a defesa… pelo o que, jogo após jogo, qualquer um deles mostra, a idéia incial quando trazemos um atleta de nome, é que vale a pena. E quanto ao treinador?

Ele monta e escala a equipe, treina o time, escolhe o elenco. Tem lá esquema táticos e filosofias de trabalho, mas a verdade é que se os bons jogadores estiverem em dias ruins, o time provavelmente vai perder, independente do que o treinador faça.

Num universo em que existe tanta agressividade velada e trairagem entre marmanjos, vale mais a pena investir em alguém que o elenco todo admire e goste. Aquele cara que os jogadores se reúnem e o capitão fala “vamos lá, vamos ganhar. Pelo professor!”. E esse cara, no Palmeiras, não foi Luxemburgo nem Muricy. Foi o Jorginho.

Aí é apenas o fato de ser bem sincero: técnico de futebol, salvo raríssimas excessões, é mais uma questão geográfica – estar no lugar certo na hora certa – que técnica.

Por esse motivo, não se justifica de forma alguma pagar meio milhão de reais pro cara que fica gritando na beira do gramado quando existem Jorginhos que conseguem muito mais apenas porque trabalham sérios e quietos para a mídia e como ursinhos carinhosos para os mimados jogadores.

Andrade, o técnico campeão brasileiro foi o maior exemplo. A demissão de Muricy o segundo. Não acho que seja preciso mais um.

Para os torcedores do Palmeiras, a demissão – e contratação de Antônio Carlos – é só mais um dos vários erros cometidos por Belluzzo a frente do Verdão. Muitos alardearam as capacidades do presidente, santificaram sua imagem. Alguns, iludidos, ainda acreditam que foi o meio que interferiu na capacidade do profissional. Isso é um erro. O que aconteceu, embora difícil de admitir é simples: pura incompetência administrativa.

Belluzzo mostra despreparo total para comandar um meio em que as teorias ficam de lado, enquanto predominam a política de interesses e o (mau)caráter humano.

Muito diploma, nenhum que o tivesse preparado para o futebol.

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