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3D: eu só quis dizer…

24/02/2010

Após o sucesso de Avatar, o mundo da tecnologia voltou os olhos – de novo – para a projeção em 3D. No entanto, diferente de outras ocasiões, acreditam que dessa vez ele veio para ficar. Já se fala em transmissão de partidas de futebol em 3D e televisões que venham equipadas com o formato.

Como consumidor assíduo de programas de televisão, acredito que o 3D é exatamente como a geladeira com internet: inútil.

O 3D vai fracassar no século XXI assim como fracassou algumas vezes no século passado.

Entendo que, como sempre, assim que uma tecnologia “nova” é anunciada a maioria dos entusiastas e bobalhões se excite frenéticamente e acredite estar diante de uma revolução sem limites. Isso acontece porque não há discernimento. Na cabeça dessas pessoas, não existe o “tá, mas eu vou querer isso?” existe apenas o “OBA É NOVO ENTÃO EU QUERO!”

Mas aqui a gente analisa. Pensa e posta. E aposta. Claro que o 3D pode dar certo, mas não tenho medo de errar, apenas digo o que eu acho. Seria pouco Cirilo de minha parte não fazer dessa forma.

Então vamos lá: existem três problemas crônicos que vão decretar o fracasso do 3D:

O 3D em si

Por mais que James Cameron tenha dado ênfase ao processo de produção de Avatar – que foi filmado em 3D e não de modo convencional para daí ser passado para a tecnologia – as diferenças entre o resultado “novo” e o convencional são praticamente imperceptíveis.

Isso significa o mesmo que significava no século passado: a primeira vez que tu assiste é legal, depois nem tanto e depois foda-se esses óculos imbecis. Por que não posso levar pra casa?

A tecnologia 3D não é auto-suficiente, não se garante. Ou seja, seus efeitos não sustentam uma revolução ou um novo nicho de mercado. Nunca sustentaram. É simplório. A única graça é quando as coisas voam da tela pra tua cara – coisa que nunca acontece em Avatar – e mesmo assim o impacto é reduzido a cada sessão. O que nos leva ao próximo ponto…

Aplicabilidade

O 3D será usado em transmissões esportivas, como jogos de futebol e corridas de Fórmula 1.

Como espectador de futebol, não consigo enxergar o mínimo benefício no 3D esportivo.

Num primeiro momento, o único lance que parece realmente vantajoso é quando a bola vai pra fora, mas se contar quando é num ataque do time adversário e o nervosismo supera o entretenimento, por que eu vou torcer pro meu time chutar a bola pra fora?

“Ai minha nossa, parece que a bola vai bater na minha cara!”

O consumidor de futebol não quer saber se os jogadores está ali, pertinho dele na sala, eles querem ver o time jogar bem e vencer. E não estão dispostos a trocar os ângulos privilegiados das câmeras de TV por algo que nos leve “pra dentro do jogo”. Eu só quero assistir a um maldito jogo de futebol!

Mesma coisa com a F1. Não interessa se parece que se está dentro do carro. O que importa é ver a corrida. Fã de esporte gosta de ver esporte e não quer saber de firulas tecnológicas pra melhorar algo que já julga perfeito. E se quer efeito em 3D, vai ao cinema ou ao Maximotion no Beto Carreiro World.

Entusiasmo

Todo mundo defende o 3D, exalta como nova “tendência” mas ninguém sabem explicar exatamente como isso vai acontecer.

Aliás, de concreto, nada aconteceu.

Hoje ainda somos reféns de poucos títulos disponíveis que não dão a menor pinta de que vão criar uma revolução. Pode até se estabelecer como um nicho legalzinho para filmes infantis, mas não vai mudar o mundo porra nenhuma. Dá até pra ver os DVD’s vindo junto com óculos, como acontecia com Toppo Giggio no Castelo do Drácula(mas aí o brinde era uma dentadura de plástico).

Os malditos óculos 3D.

Feios, desconfortáveis e inúteis. Mas o pior é que tu não pode levar pra casa depois do filme, o que significa que ele ficou na cabeça caspenta de outra pessoa antes de tu usar.

Especialistas dizem que no futuro as transmissões em 3D não vão precisar de óculos. E essa sim é a melhor notícia sobre o 3D. Ou será que não?

Bote na balança: o que soa melhor(ou bem mais barato): um par de óculos 3D ou uma TV de Led equipada com a tecnologia 3D sem a necessidade de se usar óculos?

O que vai acontecer é que o preço irá desencorajar os compradores e por consequência, o baixo número de televisores vendidos não conseguirá manter a produção de programas em 3D. É uma indústria fadada ao fracasso.

É perigoso investir tanto numa coisa que no máximo pode se dizer que é legalzinho.

Chega a ser ridículo como alguns produtores dizem que as possibilidades são “infinitas”. Principalmente porque com os brinquedos da Disney já vimos à exaustão diversos usos para o 3D e nenhum causa entusiasmo.

O único futuro que consigo vislumbrar no 3D é na indústria de entretenimento adulto.

Um filme pornô em 3D é algo fascinante, inovador!! Imagina só aquela tua atriz favorita se curvado, com a bunda, os peitos e tudo mais bem pertinho, indo direto pra tua direção. Não é o máximo??

O único problema será se os produtores de filmes pornôs também decidirem que o bom do 3D é quando as coisas parece que saem da tela e que vão te acertar bem na cara. E anatomicamente, existe apenas uma opção óbvia para desempenhar esse papel da forma correta.

Realmente não existe a menor possibilidade do 3D emplacar…


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