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Carta aberta à Patrícia Amorim

15/04/2010

Digníssima Presidente(a),

Fico feliz que tenha sido eleita vice-presidente do Clube dos 13. Esse cargo, da mais alta expressão, significa muito para o clube que a senhora preside e uma grande vitória para o futebol brasileiro.

Caso não tenha notado, estou sendo sarcástico.

Sua efetivação como uma das mandatárias do Clube dos 13 não significa nada. Nem para o Clube de Regatas do Flamengo nem para seus mais de 35 milhões de torcedores.

Eu pergunto: a senhora, em algum momento, pensou nos interesses do Flamengo quando se interessou em disputar o cargo?

Pois, a princípio, o Flamengo apenas foi prejudicado. Mais uma vez. Como sempre.

Talvez a senhora não tenha conhecimento sobre a instituição a qual acaba de se tornar vice-presidente.

Talvez a senhora não tenha conhecimento de que desde 1987 o Clube dos 13 não vem fazendo absolutamente nada em prol do futebol brasileiro. E que, na maior parte desse período de inatividade, está o homem que você chama de “meu Presidente”, o Sr. Fábio Koff, no comando das ações.

À parte negociações sobre as cotas de televisão dos clubes, os feitos do C13 foram nulos.

É essa sua vontade, senhora (vice) presidente? Não fazer nada?

Pois já começou falhando. No dia de hoje, 14 de abril de 2010, a senhora ajudou a resolver um impasse que perdurava fazia quase 30 anos: o título brasileiro do Flamengo de 1987.

Graças à senhora, e a qualquer que tenha sido sua motivação ao querer assumir cargo no Clube dos 13, o Flamengo é oficialmente pentacampeão brasileiro.

O título que os tetracampeões Bebeto, Jorginho, Aldair, Leonardo e Zinho conquistaram junto com o craque Renato Gaúcho – o último Brasileirão do Zico – oficialmente não vale mais nada.

Em troca de que?

Talvez não seja de seu conhecimento, mas o Flamengo não precisa do Clube dos 13.

O seu rubro-negro é, junto com o Corinthians, um dos poucos clubes que dão audiência na televisão brasileira. Mas, por causa exatamente do Clube dos 13, parte do dinheiro que o clube poderia arrecadar com as transmissões de TV, é dividido com os outros clubes.

Qualquer outro dirigente usaria tal informação, ou melhor, tal fato como moeda de barganha, como forma de negociar com Clube dos 13 e CBF um acordo que fosse mais vantajoso ao Flamengo.

Flamengo, cujos interesses é seu dever proteger.

Flamengo, o combalido clube que deixa de ganhar dinheiro com o Clube dos 13. Que não tem título reconhecido pela CBF.

E não apenas o clube continuará submisso às vontades de Fábio Koff como ainda perdeu um título brasileiro.

E eu pergunto novamente: em troca de que?

Vaidade.

A senhora não pensou no clube. Pensou apenas em você mesmo.

Foi irresistível a possibilidade de se tornar a primeira mulher vice-presidente do Clube dos 13. A ex-nadadora se tornando poderosa do futebol. Que honra, que alegria.

E quanto ao Flamengo?

Que tipo de vantagem o pentacampeão brasileiro ganhou em troca da “honra” de fazer parte da diretoria do Clube do Bolinha?

Aguardo ansiosamente pela coletiva de amanhã, às 11h.

Aliás, quanta demora para um pronunciamento. O São Paulo, aquele que criou a Copa União e depois esfregou na cara do Flamengo que não valia nada, desde às 15h já comemorava a conquista do título de primeiro pentacampeão.

Título que muitos dirigentes rubro-negros falharam em buscar. Título que a senhora deu de graça ao time paulista.

O Flamengo sofreu uma derrota história, gigantesca e humilhante.

Estou muito desapontado, Presidente(a). Muito desapontado.

E não vejo outra alternativa a não ser perguntar outra vez:

Em troca de que????

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One comment

  1. Não concordo muito com o seu texto.

    O Flamengo é campeão brasileiro de 1987 quer a CBF aceite ou não.
    Independentemente dos motivos da presidente apoiar a situação no clube dos 13, na minha opinião, seria pior apoiar a CBF só para que esta entidade reconhecesse o que é justo. Seria abaixar as calças pra CBF e isso eu não concordo.
    O Flamengo é uma instituição e representa uma nação maior que a CBF e esta não pode negar que o Flamengo é o verdadeiro campeão de 1987. Se para isso, eu, o Flamengo, terei que apoiar a CBF sempre, prefiro não ser reconhecida por ela e continuar sabendo que sou o verdadeiro campeão.
    Não me importa mais (e já não importa há alguns anos) o que o Senhor Ricardo Teixeira pensa sobre o assunto. Problema dele. Eu sou o verdadeiro campeão e ponto.

    Se a presidente apoiou a situação por vaidade, isso é outro problema, mas se vc acha que ela deveria mudar de lado só pra CBF nos entregar o que é nosso, isso eu não concordo.

    Abraços.



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