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Sinfonia Agridoce

23/04/2010

Não adiantou torcer contra.

Para desespero da torcida, o Flamengo se classificou para as oitavas de final da Taça Libertadores da América.

A combinação de resultados, que não era assim tão complicada, acabou se concretizando.

Não era pra acontecer. Tudo de ruim já havia passado. Todo mundo já havia se conformado. E agora o time está classificado. E enfrenta o Corinthians. Por que então Andrade foi demitido?

Faz apenas quatro meses que o time foi hexacampeão brasileiro. O que aconteceu de tão errado nesse período que possa justificar a interrupção do trabalho de Andrade em 2010?

A classificação na Libertadores tá aí. Vai querer me dizer que foi por causa do Carioquinha?

A queda do Andrade é apenas a continuação do ano pavoroso que a diretoria do Flamengo vem se esofrçando para criar. O clima conturbado, os problemas de fora que entram em campo, a falta de alguém, qualquer um, que cobre do Adriano postura de um jogador de futebol profissional.

E, pra piorar, Marcos Braz não deve ser demitido. Sabe o que isso significa? Que Celso Roth ainda pode pintar.

A primeira opção da diretoria segue sendo Joel Santana. O Botafogo já entregou a proposta de renovação para o Natalino e aguarda apenas pelo seu “sim”. Já Joel, aguarda pela proposta oficial do Flamengo.

Joel Santana quer voltar. Seria a chance de se redimir por 2008. Naquele ano, o treinador continuava o brilhante trabalho do Brasileirão de 2007 e o Flamengo seguia como favorito para a conquista da Libertadores. Até que Joel Santana recebeu uma proposta da Seleção da África do Sul e decidiu sair. Em seu último jogo à frente da equipe, o Flamego foi eliminado da Libertadores, justamente nas oitavas de final.

Além do mais, o que o Botafogo tem a oferecer? Fora o sentimento do próprio Joel, que pode querer retribuir a confiança da diretoria da Estrela Solitária, não existe um bom motivo para seguir como técnico da equipe.

Ele sabe que o time é ruim, limitado e que pontos corridos é muito diferente de um jogo de mata-mata. Sabe que o título Carioca não importará nada caso a equipe naufrague no Brasileirão; ele seria demitido de qualquer jeito, tão rápido quanto chegou.

Quantas pessoas têm a chance de recomeçar exatamente de onde pararam, ainda mais quando calhava ser seu melhor momento? Além do mais, se perder as oitavas para o Corinthians, não seria demitido, afinal de contas são apenas dois jogos, certo? Certo??

Se não vier Joel, a diretoria quer Muricy Ramalho. Mas, com a permanência de Marcos Braz, deve recorrer a seu amiguinho Celso Roth, aquele dos 33,3% de aproveitamento da última vez que treinou o Mengão. É, eu sei.

A verdade é que, não importa quem chegue, os problemas do Flamengo parecem continuar muito longe de um fim.

A classificação veio como uma recompensa, o pior tipo de recompensa, aquela entregue ao trabalho mal feito, realizado sem competência e sem o mínimo de qualidade.

Se havia antes alguma vontade ou necessidade de mudança, foi-se embora quando a matemática assegurou a vaga do Mengão. Os problemas com Petkovic não acabaram, Adriano não vai sair de seu mundinho de fantasia, não vai treinar, entrar em forma ou marcar gols.

O Flamengo vai levar uma surra do Corinthians. E pior, vai levar uma surra com direito a vários gols do Ronaldo, pra deixar o arco-íris bem feliz e a torcida com enorme cara de bunda, tentando lembrar quando foi que a classificação virou motivo para se comemorar alguma coisa.

Adriano vai perder feio o duelo das banhas. Vai perder prestígio dentro do clube, junto à Seleção e do Flamengo sairá para algum clube mediano da Europa, aonde engordará a conta bancária com os últimos milhões de dólares, antes de encerrar a carreira com a versão rica de Garrincha.

Ao torcedor caberá a vergonha de mais um ano jogado fora. Mais um ano respirando fundo e tentando encontrar inspiração para, mais uma vez, torcer pela classificação para a LIbertadores. Para em 2011 começar tudo de novo… calma, em umas cinco ou seis rodadas a gente já terá esquecido.

Mas pelamordedeus, que fique a lição. Que os homens – e a mulher – que comandam o Flamengo aprendam que essa é a terceira vez em quatro anos que o Flamengo joga o semestre fora por conta dos próprios erros, que tropeça sempre, sempre nas próprias pernas.

A vaga não foi uma dádiva.

Foi um réquiem, uma canção de morte, conclusão amarga para uma sinfonia de final infeliz que não parece mais ter fim.

E que acabará em duas semanas, se tivermos sorte.

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