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2012: eu só quis dizer…

18/05/2010

Todo mundo que acredita que o mundo vai acabar em 2012 é imbecil.

Como acontece em todos os grande lançamentos milionários do cinema norte-americano, um executivo do marketing do estúdio se aproveita do “fato” histórico em que o roteiro foi baseado para sugerir alguma credibilidade – e interesse do consumidor – na película prestes a ser exibida no cinema.

Assim, os filmes ganham avisos de que a obra foi “baseada em fatos reais” e matérias sobre o tal assunto em veículos de comunicação voltados ao setor cinematográfico ou que simplesmente fazem parte do grupo de empresas cujo dono do estúdio é o principal acionista.

Isso significa que, mesmo que não apareça diretamente relacionado ao filme, o tal “fato” chega aos ouvidos populares de diversas formas. E assim, nessa pequena corrente de informações comerciais, é possível enxergar uma historieta que inspirou um rascunho de filme se tornar numa justificativa para provas da idiotice da sociedade.

Ou, simplesmente, nego é muito burro.

Supostamente o mundo vai acabar porque uma profecia maia disse que em 2012… o mundo vai acabar. Assim, jogado de forma simples e superficial. Esse é o “argumento” ou pior, a “prova” de que estamos temos apenas dois anos para nos arrepender dos pecados cometidos e ir para o céu.

Mas óbvio que é um pouco mais complexo. Aliás, quanto mais complexo fica, mais claro que é uma idiotice o caso se torna.

A tal “profecia maia” seria na verdade um calendário que esse povo já extinto criou na época em que viveu, lá pelo século VIII. Acontece que o tal calendário só vai até o ano de 2012. Aí, por conta disso, acreditam que os anos param de ser contados ali porque o mundo vai acabar. Sim, leia de novo se pareceu idiota demais(vai continuar parecendo).

Já pararam pra pensar que os maias não fizeram o maldito calendário além de 2012 por, sei lá, preguiça? Por simples falta de utilidade prática?

Faz muito mais sentido que qualquer um dos maias, um povo avançado e inteligente, chegou pro Criador de Calendários e falou “tá certo cara, pode parar, 2012 já tá bom. A gente nem vai estar vivo até lá, deixa que mais tarde continuam essa merda… acaba aí e vai lá ajudar na roça”.

Afinal de contas, como eles poderiam saber?

Até onde eu sei não foram os maias que inventaram a privada. E como é que um povo que ainda caga no mato vai ser foda o suficiente pra adivinhar o fim do mundo?

Se eles realmente pudessem adivinhar quando as coisas vão acabar – e lembrando que no caso as “coisas” são um grupo de sociedades que junta mais de 6 bilhões de pessoas – porque não previram quando eles mesmo iam ser extintos? Nem demorou tanto assim.

Parece até aqueles videntes charlatões que vão no Fantástico, que cobram pra dizer pras pessoas quando elas vão morrer, pra escrever cartas de parentes mortos, pra prever o futuro e que não conseguem nem adivinhar que o Corinthians vai cair nas oitavas de final da Libertadores.

O mundo já “acabou” trezentas vezes. Sempre enfiam alguma profecia do Nostradamus em algum lugar e dizem “é hoje”. Mas nunca é. Hoje, a figura de Nostradamus nada mais significa que a de um velhinho barbudo inofensivo, uma espécie de Papai Noel, que ao invés de presentes entrega adivinhações que sempre dão errado.

O problema é que as pessoas que acreditam nessas baboseiras não conseguem manter uma linha de raciocínio coesa. Se tu perguntar pra elas, “ok, e como o mundo vai acabar” a resposta vai ser “ah, vai acontecer um montão de coisa”.

Não, não vai.

Não tem a menor possibilidade de, do nada, brotar um meteoro que vai colidir com a Terra. Para que realmente um pedaço de pedra espacial acabasse com a Terra, teria que ser um puta dum pedaço de pedra espacial. O maior pedaço de pedra espacial da porra do Universo. E, ainda assim, ele não seria atraído para dentro de nosso humilde planetinha.

Isso sem contar que nós temos as duas melhores armas contra meteoros de todo o universo: tecnologia e Bruce Willis.

O gelo da Terra também não vai derreter. Aquecimento global queima tudo, blábláblá, mas o fato é que já ficou provado que o derretimento de umas calotas aqui e acolá é mais do que natural, e que não existe risco do iceberg do Titanic atacar de novo, dessa vez afogando ao invés de quebrando no meio.

Mesmo que acontecesse algo parecido, nem a pau que ia dizimar toda a população do mundo. Tem idéia de quanto chinês tem por aí? De quantos indianos existem? Mesmo que nenhum deles saiba nadar, sobe um em cima do outro e se salva, só nessa manobra simples, mais de 1 bilhão.

Então nem perca o sono, ou melhor, nem seja burro. Não vai acontecer. O mundo com certeza vai acabar, mas vai ser muito além de 2012. Vai ser algo para os tataranetos do seu neto se preocupar, bem no futuro, numa era em que a ciência curou a maioria das doenças, a fome mundial já foi resolvida, o homem já fez contato com seres extraterrenos e é possível aumentar o tamanho do pênis através de cirurgias estéticas.

Agora, se você continua acreditando nessas asneiras, então aproveite o pouco tempo que lhe resta: vá ler um livro bem longo, gaste o dinheiro da pensão com prostitutas, saia do armário, se suicide e mostre pra esses malditos maias quem é que manda… mas faça isso antes de 2012, antes que o Godzilla chegue de nave mate a todos nós!

Mas te peço uma coisa só: pare de encher o saco dos outros com essa merda de fim do mundo! Principalmente o meu.

Porque, cara, quando chegar 2012 e não acontecer absolutamente nada eu vou te zuar, mas vou zuar muito; te encher o saco tanto que desejarias que o mundo tivesse, de fato, acabado.

Eu sei disso porque os maias me contaram.

Os maias e a Mãe Diná.

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