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A despedida

20/05/2010

Tchau bicampeonato sonhado da Taça Libertadores, boa noite. Até Deus sabe quando…

É para proferir essa oração que o Flamengo entra em campo hoje a noite, no Chile, contra os carrasco da La U.

Fosse outro time, a vitória por dois gols de diferençapareceria pequena diante das provocações motivadoras que os jogadores rubro-negros estão tendo que aguentar desde o início da semana. Mas é o Flamengo mesmo.

O Flamengo que foi eliminado do mesmo torneio com vexame em 2007, que repetiu a vergonha com juros no ano seguinte e que, aficcionado por tradições, não poupou esforços para conseguir mais uma saída indigna na edição de 2010 do Sulamericano.

Esse Flamengo é aquele que entra em campo de cabeça baixa, não consegue tocar a bola, criar sequer uma jogada de ataque nem organizar o setor defensivo. Tem o jogador mais técnico do time sentado no banco, lançado apenas aos 20 minutos do segundo tempo, quando precisar fazer já com placar adverso o que os inexplicáveis titulares de sua vaga falharam miseravelmente em executar.

É a equipe do atacante maior que a instituição do clube, que vive num mundo imaginário em que ele próprio é o Imperador de tudo e todos, enquanto a realidade, vinda na forma de derrotas e ausência na Copa do Mundo, faz piada do devaneio.

Sempre existem os que acreditam, pois é assim que funciona o torcedor de futebol. O injusto é cobrar de uma Nação formada por 35 milhões de patriotas de vermelho e preto que compartilhem do mesmo otimismo cego e injustificado.

Não deixo, assim como outros tantos, de ser flamenguista apenas por não acreditar numa classificação improvável que não virá. Já cansei de chorar por conta de derrotas do Flamengo. E o esgotamento do reservatório de lágrimas leva apenas à resignação, ao cansaço e apatia de enxergar, mais uma vez, uma formação sob veste do Manto jogar a vida dentro da Libertadores pra dentro do saco de lixo.

No que eu acredito? Em trabalhos bem realizados. Em profissionalismo. Em frieza, estratégia e planejamento. Há quanto tempo o São Paulo não disputa a Copa do Brasil?

Seria sorte?

O Flamengo não tem brios para fazer acontecer um milagre. A não ser quando esse milagre é perder de 3 a 2 dentro de um Maracanã com 70 mil torcedores. Desse tipo de milagre a equipe gosta, tem competência para realizar. Buscar resultado dentro de campo adversário, chileno casca-grossa, não.

Mais uma vez, de forma indigna, o Flamengo se depesde da Copa Santander Libertadores que têm times mexicanos e passa na FOX Sports. O que parecia ser um episódio isolado, um lapso futebolístico dentro de uma história vitoriosa, no quasro geral, virou praxe e hoje se consolidará como uma característica que acompanha e define o departamento de futebol rubro-negro:

o Flamengo tem trauma de Libertadores e sempre dá vexame quando participa da competição.

A triste rotina de derrotas faz o título de 1981, cada vez mais distante, ganhar ares de lenda. E o sonhado bicampeonato, permanece como sonho, cada vez mais parecido com distante desejo, ou um louco devaneio.

Impossível prever quando o Flamengo voltará a disputar o torneio.

Embora o resultado tenha se tornado desagradavelmente previsível.

Tchau bicampeonato sonhado da Taça Libertadores, boa noite. Até Deus sabe quando…

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