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Flamengo está eliminado da Libertadores 2010

21/05/2010

Acreditar era mais difícil do que se importar.

Dessa forma, não havia maneira de apenas ignorar a partida, mesmo tendo plena certeza de que o Flamengo não possuía a menor chance de chegar às semifinais.

E lá fomos nós assistir ao jogo.

Se não existia esperança, pelo menos seria legal tomar uma cerveja e acompanhar o Flamengo buscando marcar dois gols de diferença; o Império do Colesterol com alguma coisa a provar.

Mas bastaram poucos minutos para que a indiferença voltasse a ser a paixão de quem passou a vida toda acompanhando o Flamengo. E deu até mesmo para acreditar.

De negativo, à parte da desclassificação, posso dizer que ao final da partida a vitória me doeu mais do que se tivesse apenas ficado em casa esperando o jogo terminar.

De positivo, pouco, mas suficiente para um grande noite de futebol, de magia, de ilusion. Muita torcida, muita emoção. Foi um grande jogo e valeu a pena cada segundo que passei assistindo. Acreditando.

No mais, o Flamengo apenas confirmou todas as expectativas e após jogar a partida do Maracanã no lixo, não conseguiu reverter a vantagem do Universidad de Chile.

Alcançar as quartas-de-final e frequentar a Libertadores é sem dúvida um avanço para um time que encontrava-se em franca decadência, mas para que seja possível sonhar com o título é preciso fazer muito mais do que jogar uma única partida com a garra e coragem que o torneio exige.

O Flamengo pecou, como em 2007 e 2008, por não ter se preparado adequadamente. Por não entender que um torneio como Libertadores requer frieza, aplicação tática e muita raça para enfrentar sulamericanos com complexo de inferioridade quem chegam ao Brasil com sangue nos olhos.

É como se por conta de uma natureza enfiada em seu DNA o Flamengo não fosse capaz de levar a competição a sério, com se fosse impossível de entender que não adianta correr e jogar bola em uma única partida que vai salvar o semestre todo.

Particularmente, em 2010, o Flamengo viveu um festival de erros. O maior deles, infelizmente, aconteceu por conta da conquista do Campeonato Brasileiro de 2010.

Devido a conquista do título, o Flamengo jogou para o alto qualquer tipo de planejamento, ambição e trabalho sério. Adriano tornou-se maior que o clube, parou de jogar. Marcos Braz fez de si o Deus na Terra , tirando Petkovic do time titular.

Enquanto isso, Patrícia Amorim, sem entender nada de futebol, acreditava que a equipe era forte e que não carecia de reforços.

Em 2010, o Flamengo contratou além do medalhão Vagner Love, Rodrigo Alvim, Fernando, Ramon e Michael. De todos eles, apenas Michael ainda frequenta a equipe com frequência, e ainda por cima com a titularidade colocada em dúvida.

Chafurdando em amadorismo, Patrícia Amorim ainda cometeu aquele que foi o maior erro do Flamengo no semestre: demitiu o técnico Andrade. Sem nenhum nome a altura no mercado, a solução, desastrosa, foi colocar o despreparado Rogério Lourenço para tentar salvar o semestre rubro-negro.

A desclassificação veio e não foi surpresa para ninguém.

É difícil não sentir tristeza, mas é certo que a emoção que mais passa pelo torcedor rubro-negro no dia de hoje é de impotência, a certeza de que o Flamengo terá muitas dificuldades no resto do ano e de que não existe nada que possamos enxergar, mais adiante, que traga algum tipo de otimismo para o resto da temporada.

Pela primeira vez em muitos anos, o Flamengo encontra-se completamente perdido. Sem planejamento, sem uma equipe definida, sem qualquer fator capaz de trazer ao mais otimista dos torcedores um motivo para acreditar.

O Flamengo caiu fora da Copa Santander Libertadores que passa no FOX Sports. E não tem data para voltar.

Muitos flamenguistas tentarão encontrar algum tipo de conforto tentando culpar algum rubro-negro pelo gol de Montillo. Uma parte atribuirá ao posicionamento avançado do goleiro Bruno a razão do gol, enquanto outra entenderá que a defesa nunca poderia dar todo aquele espaço para um jogador do quilate do camisa 10 chileno.

A verdade, por mais dura que possa parecer, é que o bom jogador argentino do La U aproveitou bem uma das poucas chances que o time chileno criou e marcou o gol da classificação. Não houve culpa. Apenas talento, fator que pesa para os dois lados que disputam uma partida de futebol.

Não perdemos dentro de campo. Jogamos futebol, vencemos a partida.

O que eliminou o Flamengo, o que elimina o Flamengo da Libertadores da América, todos os anos, encontra-se fora das quatro linhas. E está longe de sair.

Não se engane, torcedor rubro-negro. Ainda vamos perder muito mais.

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