Archive for junho \30\UTC 2010

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Football vs. Soccer

30/06/2010
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Espanha 1 x 0 Portugal

30/06/2010

Seria mais correto afirmar que prevaleceu o favoristismo da Espanha ou o futebol fraco e ineficiente de Portugal?

Porque, da mesma forma como a Seleção espanhola se tornou uma das favoritas para o Mundial da África do Sul nos últimos anos, Portugal viu seu lugar no panteão das grandes equipes de futebol ser abandonado na mesma velocidade.

O time espanhol – ainda – não foi brihante como a maioria dos opineiros de plantão previa. E, ainda assim, conseguiu abater uma Seleção portuguesa sem muito a oferecer.

Talvez o fato de um dos atacantes ser o brasileiro naturalizado Liédson possa ser citado como um exemplo do verdadeiro poder de fogo de Portugal. Ele teria condições técnicas de defender a Seleção Brasileira? Alguma outra Seleção de ponta do futebol mundial?

Mas Liédson é o menor dos problemas, ou até, dos culpados. É impossível falar na derrota de Portugal sem citar o nome de Cristiano Ronaldo.

Sem dúvida um grande jogador, Cristiano Ronaldo mostrou em 2010 que, ao contrário do que as atuações no Real Madrid e Manchester United indicaram, não se trata de um legítimo craque, daquele jogador cuja técnica altamente diferenciada pode decidir partidas em favor de equipes menos favorecidas.

Esperava-se muito, mas muito mais de Cristiano Ronaldo neste Mundial.

De todos os craques que disputaram o torneio, apenas Wayne Rooney se saiu pior que Ronaldo. Com a diferença bastante considerável de que o português já foi escolhido como o melhor jogador do mundo, o que só deixa seu fracasso ainda mais amargo.

Pra piorar o cenário, Ronaldo é o capitão do time português e não agiu como tal. Mostrou descaso, despreparo para a função de representar a equipe por inteiro e falta de comprometimento.

Hoje, os jornais portugueses e de várias partes do mundo não falam de outra coisa. Até mesmo Luís Figo, ex-eterno craque solitário da Seleção Portuguesa por diversos anos desceu a porrada em Ronaldo. E com razão.

Como admirador de seu futebol apresentado no Manchester United e no Real Madrid, acredito que o torneio da FIFA serviu para colocar Cristiano Ronaldo no lugar a qual ele pertence: é um grande jogador de clubes, aonde conquistou espaço para arriscar lances longe da pressão do erro, mas não é – e nem vai se tornar – um grande craque dentro dos padrões do esporte.

Messi, por exemplo, e Ronaldinho Gaúcho são dois jogadores já considerados grandes craques que, assim como Ronaldo, não conseguem repetir nas Seleções que defendem o mesmo futebol apresentado nos clubes milionários que pagam seus salários. Mas é diferente.

Tanto Ronaldinho quanto Messi têm lá seus motivos para não o fazerem. O brasileiro tem sangue de barata. O argentino, ao que parece, não sabe lidar muito bem com a pressão de carregar o time nacional nas costas, embora esteja realizando até agora um ótimo mundial. Cristiano Ronaldo apenas não tem futebol suficiente para ser um craque. Simples assim.

As cicatrizes da eliminação hão de cicatrizar, o Mundial terminará e a vida esportiva da Seleção de Portugal seguirá seu curso natural. Cristiano Ronaldo, arrebentando pelo Real Madrid, conquistando prêmios de artilharia e títulos, voltará a ser convocado. Fará partidas boas e partidas ruins. Mas nunca, no futuro, seu futebol irá explodir. Nunca será considerado uma referência internacional dentro da Seleção, a pérola no meio das ostras feias e não valiosas como foi, por exemplo, outro português, Eusébio.

Poderá até ser eleito o melhor do mundo novamente. Mas nunca conseguirá, com seu futebol, levar a Seleção de Portugal a patamares mais altos do que aqueles que ocupa hoje.

Cristiano Ronaldo não é uma fraude, uma enganação, como um jornalista furioso decretou recentemente.

Apenas não é craque.

E, sinceramente, mesmo gostando muito do jogador, aquelas pedaladas que não levavam a lugar nenhum nunca me enganaram…

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Brasil 3 x 0 Chile

29/06/2010

O Brasil tirou o Chile pra dançar.

Uma dança diferente, em que existem perdedores e que quem leva mais gol vai embora pra casa. Mas foi uma dança. Um baile.

Alguns podem ter achado os 3 a 0 insuficientes, mas ficou dentro da realidade da partida. Esse negócio de 7 a 0 é coisa que acontece uma vez por década. Portugal já fez esse ano, então não poderia acontecer. Deus não teria permitido…

Assim como não permitiu que Kaká desfalcasse o Brasil na partida contra a Holanda. Bem, na verdade foi o Dunga, que tirou o meia de campo antes que ele levasse o segundo cartão amarelo e fosse suspenso. O mesmo Dunga que não tomou esse cuidado em relação a Ramires, causando desde já tremores nas canelas alaranjadas de Robben e sua turma.

O começo da partida foi ideal para a turma que gosta de soprar a vuvuzela. O time jogou mal e deu algum espaço para o Chile. Mas desde já, observadores especializados como eu conseguiam dizer que o jogo terminaria facilmente liquidado a favor do Brasil. É, eu tenho esse dom. Chama-se “visão”.

Quando Juan fez o primeiro, de cabeça, a porteira abriu. Quer dizer, a única maneira de tentar impedir uma vitória da Seleção Brasileira é socando nove jogadores no campo de defesa. Se, ainda assim, o escrete canarinho marca o gol, o negócio é sair pro jogo e buscar o empate. E aí, meu amigo, é que o time do Dunga mata as partidas.

O curioso no lance do primeiro tento foi a participação do capitão e herói de guerra Lúcio. Primeiro ele é puxado, com força. O adversário cai, ele não. Permanece de pé. Quando enxerga que a bola vai chegar ao Juan, por algum motivo, ele próprio puxa o Luís Fabiano, impedindo que o atacante alcance a bola. Surreal? Ou estaria o nosso capita apenas evitando que o atacante atrapalhasse o coleguinha de zaga?

Falando em Lúcio, que partidaça fez o nosso capita carrancudo. Os jogos do Brasil perderiam muito da graça não fossem pelas arrancadas destrambelhadas de nosso herói ao ataque. Como está sempre bravo e se move com dificuldade, embora veloz, os lances ofensivos de Lúcio são dotados de uma veia cômica única. A Holanda que se cuide.

Mas então, voltando… depois do gol do Juan, com a porteira aberta, ficou mais fácil para o Brasil marcar mais gols. Luís Fabuloso, o Fabiano, recebeu bom toque de Kaká, driblou o goleiro e fez o dele. Bonito e fácil.

Depois, no segundo tempo, Ramires fez uma grande jogada e tocou pro Robinho, que, de primeira marcou o terceiro. E foi eleito o melhor jogador em campo pela FIFA.

Discordo. Robinho, pra ser o melhor, tem que driblar. Tem que pedalar. E ele não fez nenhuma das duas ontem. Até o velhinho meio cego aqui da rua, que anda de bicicletinha o dia inteiro, merece mais o título de “Rei das Pedaladas” que o Robinho. Tudo bem, de Rei ele não tem nada. Mas ele manda ver naquela bicicletinha. Se podemos reclamar que o Messi ainda não marcou gol na Copa, podemos reclamar que o Robinho ainda não entortou ninguém.

O técnico do Chile ainda tentou se salvar, colocando em campo Valdívia, o Mago cujo futebol não passa de um truque, mas que a torcida do Palmeiras pensa que é mágica de verdade, mas não adiantou. Teria sido melhor se ele ficasse ao lado do campo, tentando tirar coelho da cartola. Mais fácil que tirar futebol da perna direita…

Dunga colocou Kleberson para jogar, mas Bielsa não quis saber de colocar o Fierro, impedindo que o jogo se tornasse uma versão bombada do rachão dos reservas do Flamengo.

A Copa agora é pra valer, amigo. Holanda de novo nas quartas? Dessa vez não tem um velho bicudeiro pra resolver. Mas nosso time é melhor, o deles é pior e o Brasil é sim, o favorito.

Pela primeira vez em 2010 vai haveeeeeeeeer coração! E, convenhamos, é muito mais emocionante torcer pra essa Seleção meio perna-de-pau, com Felipe Melo e tudo que pros “Dream Teams” de 98 e 2006. Principalmente porque a França já foi desclassificada…

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Argentina 3 x 1 México

28/06/2010

Que coisa mais feia.

Mais uma vitória da argentina, mais um gol roubado.

Aí fica muito fácil de deixar o Maradona gordeando pra lá e pra cá com um sorriso sobre aquela barba toda suja de pó.

O primeiro gol da Argentina foi completamente irregular. Tevez estava completamente impedido. Mas, como se tornou moda no dia de ontem, o bandeirinha cometeu uma cagada monstruosa e o lance valeu como se a regra não existisse.

Uma vergonha a Copa do Mundo levar a marca da incompetência humana para a história. Mas fazer o que…

O México tinha assustado duas vezes já. Na primeira com uma bomba lá do meio da rua que explodiu no travessão. Na outra com um chute que por muito, muito pouco não morreu dentro do gol.

A Argentina, que tinha atravessado o grupo mais fácil da Copa, ia vendo o que é realmente enfrentar um time com uma técnica um pouco mais apurada e passava bastante medo sob as investidas do time do Chaves.

Só que é aquela coisa, é muito fácil jogar contra os Méxicos da vida quando eles vem pra cima, não ficam nove em cima da linha da grande área. Aí tem espaço, aí tu ataca…

Enfim, os argentinos iam dando vexame até o lance crucial em que o bandeirinha não anulou o gol completamente impedido do Tevez. Aí não teve jeito. Ficou 1 a 0, a mexicanada foi pra cima e levou o segundo gol, numa cagada ainda maior, dessa vez por conta de um zagueiro mexicano e não da arbitragem.

Tevez ainda fez um golaço numa bomba de fora da área e a Argentina fechou a conta. Não precisava fazer mais nada.

Pior que depois o México jogou bem, mostrando que a história teria sido muito diferente se o gol roubado não tivesse acontecido.

Sissi, a brasileira que foi por anos camisa 10 da Seleção Feminina de Futebol e hoje é atacante do México, fez o gol de honra, mas só serviu pra gente poder soltar uns foguetes… melhor assim. Guardaremos para o jogo contra a Alemanha.

Messi, pra variar, não marcou gols. Sim, tem jogado bem, tem feito lances que provam que é mesmo o melhor do mundo. Mas eu já tô avisando, o que ganha jogo de futebol é gol e não adianta ficar driblando, criando e sendo o astro do time sem marcar gol. Vai custar caro…

Só de escrever esse pequeno texto, já me lembrei do jogo e me deu raiva da bambinada. Paro por aqui.

Não sem antes lembrar ao torcedor que acompanhou a partida do melhor lance do jogo: a cabeçada do Heinze na câmera enquanto comemorava o gol. Depois ele deu um tapa e tal, o que deixa mais engraçado, pois o fato de ele ter reagido com raiva só prova que doeu mesmo o golpe.

Será que o cameraman nunca ouviu falar em zoom…?


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Alemanha 4 x 1 Inglaterra

28/06/2010

Que Ffffuuuuuuuuuuuuuuuuuuurrrrraaaaaa!!!

Meter 4 a 1 em oitavas de final contra a Inglaterra não é pra qualquer um!

A Alemanha despachou o English Team e mostra que vai ser inevitavelmente o carrasco argentino.

Após algumas atuações meio sem-vergonha, o time alemão resolveu voltar a jogar uma bola redonda exatamente quando mais precisava.

É por isso que eu digo que a Alemanha é o time mais puto da história das Copas. Sempre que tem um favorito, um time sensação, eles vão lá e ganham.

Sempre que o mundo inteiro está olhando para um determinado grupo de jogadores com atenção, eles chegam pelo outro e são campeões.

Certo, a Inglaterra passava looooooooonge de ser uma sensação ou um time que todos estavam acompanhando de perto. Mas eu estou falando da Alemanha, não da Inglaterra. Porque se for pra falar fa Inglaterra…

Foi um dos times mais vagabundos que eles já levaram à uma Copa do Mundo. Extremamente burocrático, daquele tipo que tu sabe que quando a bola cai nos pés dos meias(?), dos atacantes e dos laterais, não vai surgir nada de bom, nada de diferente, nada que lembre uma jogada de gol.

Nunca um time inglês foi tão sinônimo de falta de capacidade criativa, dependendo apenas de bola alçada dentro da área. Nem nos tempos do Beckham. Contra a Alemanha, deu pena. Era como assistir a um embalado líder de campeonato contra o pequeno recém-promovido que briga para não voltar à Segundona.

A culpa é do horroroso Fabio Capello. Nunca vou entender como esse sujeito conseguiu o nome que tem dentro do mundo do futebol.

Capello é o tipo de técnico que não pensa em marcar gols, prefere evitá-los, esperando vencer partidas em contra-ataques e em gols de zagueiro recorrentes de lance de bola parada.

Dizer que o Capello é retranqueiro é falar pouco. Um técnico retranqueiro, quando possui jogadores de qualidade, pode até não abrir mão de um esquema mais defensivo, mas sabe que para formar uma boa equipe é preciso privilegiar os talentos do elenco e escalar os melhores.

Capello não. Ele não é retranqueiro, a alma dele é, a essência dele é, de um modo em que isso acaba prejudicando as equipes que tenta montar. Um bom exemplo foi quando ele treinou o Real Madrid, à época com um Robinho no auge, esperando para se firmar na equipe. Entretanto, Capello não gostava de escalar o brasileiro por considerá-lo “ofensivo demais”. Ou seja, não importa o quão talentoso o jogador realmente é, mas apenas o fato de ele não jogar como zagueiro ou volante.

A Seleção Inglesa era uma piada. Joe Cole, de longe o mais habilidoso jogador do elenco, era reserva. Enquanto isso, Gerrard e Lampard – como sempre, desde que surgiram para o mundo do futebol – desentendiam-se enquanto tentavam não ocupar o mesmo espaço de campo e – como sempre, desde que surgiram para o mundo do futebol – mostraram que não prestam nem juntos como criadores de jogadas de uma Seleção de futebol.

Mas para Capello isso não importava. O que importava era seguir se defendendo e enganando com um golzinho de cabeça aqui e outro de bicanca acolá.

O pior de tudo é que o melhor jogador do time, Wayne Rooney, não jogou absolutamente nada no Mundial. Foi a grande decepção da Copa até hoje, pelo menos. Pelo Campeonato Inglês, marcou 26 gols, manteve a média da temporada próxima a de um gol por partida, o que levava muita gente a colocá-lo apenas atrás de Messi nas listas de Melhores do Mundo. Alguns até diziam que o inglês ofuscaria o argentino.

Longe disso. Errou tudo o que tentou, não produziu nada nem marcou gols. Uma lástima. Assim, sem futebol e sem estrela, a Inglaterra foi um alvo fácil para a Alemanha.

Mas com ressalvas. Quando o jogo estava 2 a 1 – a Inglaterra havia acabado de descontar – Frank Lampard mandou um belo chute por cobertura, a bola bateu na trave, passou da linha do gol e voltou para fora. O bandeirinha não viu e não deu gol, que seria o do empate e que traria novos rumos ao jogo.

A bola entrou 33cm pra dentro do gol. É inadmissível que, numa Copa do Mundo, uma bola entre 33cm dentro do gol e o profissional cuja função é exatamente avaliar a legalidade de lances como esse não conseguir enxergar. Por que diabos ele está ali então?

A FIFA não quer, mas esse lamentável episódio mostra que já passou da hora de instalar o tal do maldito chip na bola, que avisaria quando foi ou não gol. Não, isso não acabaria com a emoção do esporte. Dúvida é emoção? Talvez, para mentes mais pobres de pensamento. Mas aquilo não foi dúvida, foi um fato. Gol é gol. E é ridículo o esporte perder seu momento crucial de existir apenas por falta de preparação adequada.

Dessa forma, com 2 a 1 no placar, a Inglaterra tentou ir pra cima apenas para levar mais dois gols. E foi isso.

Özil, que interpretou o Baiano em Tropa de Elite, tá jogando um bolão. Inclusive, consegue marcar gols, coisa que um argentinozinho aí não faz.

Como sempre a transmissão da Rede Globo mostrou Blumenau e o povo daqui foi lá aparecer na TV. Eu nunca iria numa dessas, porque não sou alemão nem nada do tipo. Agora, se a Rede Globo quiser me filmar fazendo a maior festa nas quartas de final, basta que a Alemanha – nossa graaaaaande Alemanha, time do povo de Blumenau! – vença seu adversário das quartas de final. Aí sim, tomarei chopp e comerei marreco recheado em homenagem à nossa pátria, eterminadora de bambinos.

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Gana 2 x 1 Estados Unidos

27/06/2010

Infelizmente não deu para meu segundo time.

Os donos do país mais jóia do mundo foram eliminados pela Seleção de Gana.

Foi um jogo muito bom, bem dentro do esperado. Sabia que uma equipe mediana como a norte-americana conseguiria protagonizar uma partida emocionante contra um africano de maior qualidade técnica.

Mas devo admitir que fui surpreendido. Gana foi muito superior aos Estados Unidos.

Eles jogaram usando um uniforme que parecia roupa de super-herói e aparentemente isso lhes deu alguns tipos de super-poderes. Supervelocidade e superforça sem dúvida nenhuma, porque meu deus do céu, como corriam, como chegavam os jogadores de Gana!

Os americanos foram engolidos desde o início da partida. Desde o primeiro momento já deu pra ver quem seria a presa e que seria o “presado” dentro do jogo.

O primeiro gol foi um bom exemplo. O negão pegou a bola, colocou força e habilidade e marcou, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Depois perderam inúmeras chances de liquidar a fatura, mas sem perder a superioridade.

Os americanos ainda empataram com um gol de pênalti do Donovan. A essa altura, devo admitir, eu já nem tava torcendo taaaaanto assim pros americanos. Quer dizer, eu acho que seria bom pro esporte em si poder gozar de maior interesse por parte dos americanos e a passagem para as quartas de final seria primordial para que isso acontecesse. Mas eu queria que Gana também vencesse.

Quer dizer, dá a maior pena desses times africanos. Logo que a gente fala em África a gente lembra como eles são sofridos por lá, vem à mente o esteriótipo do negrinho cabeçudo com barriga d’água passando fome e a antes que possamos voltar a racionalizar a situação já lamentamos os trocentos gols perdidos pelas Seleções daquele continente.

Além disso, todos os africanos foram pra casa. Não teve um Drogba, um Kanu que pudesse levar sua equipe mais longe.

Isso acontece por um motivo: as Seleções africanas são pavorosamente ruins no futebol. Ou melhor, sempre foram pavorosamente ruins no futebol.

A campanha de Camarões em 1990 foi apenas uma feliz exceção, nunca um exemplo da evolução do desempenho futebolístico naqueles lados do globo.

Durante a transmissão do jogo de Gana o Renê Simões, ex-técnico do Terceirense das Laranjeiras e eterno treinador de futebol feminino, disse sentir falta da “irresponsabilidade” do futebol africano, ou, em suas palavras, “daquela alegria, dribles, futebol pra frente”. O que o Gererê fez ao proferir essa triste bobagem foi apenas se apegar ao esteriótipo, ao folclore.

O futebol africano não era alegre, era apenas ruim, sem nenhuma noção tática. Isso não é uma virtude. Era triste ver tanto potencial jogado fora por conta da inexperiência de atletas que não possuiam estrutura suficiente para entender a forma como o futebol era jogado no mais alto nível.

Hoje, o esporte continuar em evolução por lá, mas o nível ainda é baixíssimo. Como bem disse o Parreira, isso acontece por conta da pouca participação de atletas africanos em times europeus, aí eles acabam não assimilando toda a malícia do esporte, não pegam o cacoete de jogar bola.

Posicionamento, linha de impedimento, cobertura, marcação, segunda bola… eles não sabem nada disso. Vez ou outra aparece um Okocha, que sabe driblar bem, mas que não alcança patamares maiores na carreira pois não possui noções básicas do futebol.

O que o futebol africano consegue de relevante no futebol mundial fica sempre restrito a boas campanhas ou títulos como Olimpíadas e Mundiais de categorias inferiores. Aí todo mundo acha curioso que os times africanos, tão fortes nessas competições, não conseguem vingar no profissa.

Mas existe um motivo para essa discrepância: todos os times africanos, sem exceção, disputam torneios de categorias de base com o time cheio de “gatos”. Gato, no jargão futebolístico, significa jogador de idade alterada, propositadamente ou não.

Explicando: imagine você, com 17 anos, disputando um torneio contra equipes sub-15. Ou melhor, imagine você e mais sete jogadores de 17 anos nessa situação. É lógico que seu time iria destruir a mulecada de 13, 14 anos. É exatamente isso que acontece com os times africanos.

Por lá, é extremamente comum ocorrerem falhas no registro das crianças, sendo que a maioria é apenas regularizada quando já tem dois, três anos. E em se tratando de juvenis, idade faz muita, muita diferença. Foi assim que a Nigéria venceu as Olimpíadas de 96 e Gana o Mundial Sub-20 do ano passado. E é por isso que no profissional, quando a idade já não faz frente à técnica, que os times africanos não conseguem apresentar bom desempenho em competições internacionais.

Por isso deu vontade de torcer para Gana. O que eles apresentaram dentro de campo não foi uma caricatura do conceito do bom selvagem, não foi uma dança alegre e bonita pra gringo ver e bater palma enquanto o time é massacrado detro de campo; foi apenas futebol bem jogado.

É virtualmente impossível que avancem para além das quartas-de-final, pois enfrentam o Uruguai, uma equipe que se a pouco tempo ressurgiu da quase extinção durante todo esse período por baixo pelo menos manteve a manha da catimba bem viva no DNA de seus jogadores. Ou seja, eles sabem como fazer para vencer a partida.

Assim, quando Gyan marcou o gol da classificação ganense(ganesa, sei lá…) no início da prorrogação, foi merecido, comemorado e guardado na história como o maior momento do futebol não apenas de Gana, mas de todo o continente africano.

Em sua segunda participação em Copas do Mundo, Gana superou a campanha passada – quando chegou às oitavas, sendo eliminado pelo Brasil por 3 a 0 – e mostrou que talvez exista sim esperança para um continente que, aos olhos do mundo da bola, era visto como uma promessa que não conseguiu entregar mais do que uma dúzia de decepções.

Uma relevância maior que qualquer tipo de esteriótipo esportivo.

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Brasil 0 x 0 Portugal

25/06/2010

Ô joguinho ruim!

Quem quiser cornetar o time do Dunga, fique à vontade, porque o jogo foi uma bosta. Merece mesmo!

Menos mal, lógico, que era uma partida que não valia nada, que o Brasil não precisava vencer e que o empate fechou com as ambições da comissão técnica e da torcida brasileira.

Mas foi muito ruim.

Dunga mandou malzão. Primeiro, quando optou por escalar o time titular, apenas substituindo aqueles jogadores suspensos ou pisados, poupando apenas o Robinho. Dessa forma, tivemos Júlio Baptista no lugar do Kaká e Daniel Alves no lugar do Elano. E Nilmar, dando descanso ao Rei das Pedaladas.

Deveria ter enchido o time de reserva. O jogo não valia nada, os suplentes pelo menos se esforçariam ao máximo para provar ao professor que têm condições de atuar na equipe titular.

O primeiro tempo até que foi bom, mas o Brasil sempre se complica com adversário que enfia nove atrás e deixa um só plantado na frente. Dominou o campo, mas não conseguia produzir nada de decente.

E falando em produção, que bela merda a atuação do Júlio Baptista! Eu, que apostava numa bela atuação d’A Besta, quebrei a cara. Mal tocou na bola e, quando o fez, foi apenas ridículo. Até parece que queria fazer por merecer todas as críticas que recebeu por ter sido convocado.

Besta, dá pra dizer, só quem esperava que alguma coisa saísse dos pés dele. Como eu, infelizmente. Se essa é a bolinha que anda jogando na Roma, não deveria ter sido convocado mesmo…

O segundo tempo foi pior ainda. Cristiano Ronaldo, que pela terceira vez nessa Copa foi eleito o melhor em campo, incomodou pra burro. Portugal adiantou o meio-de-campo e sufocou o Brasil. Mesmo com a Lusa mais avançada, o time do Dunga não conseguiu aplicar sua jogada preferida: o contra-golpe. E aí, não acontecia nada.

Júlio César ainda fez duas defesas importantes, primeiro num chute do Raul Meireles, em que ele se atirou e, com o braço, mandou a bola para escanteio e já ao final da partida, quando fez um 69 com Danny dentro da área, após uma bobeada escatológica do Juan. Tá maaaaal, a defesa…

Lúcio deu muito mole. Tão enchendo o saco demais aquelas arrancadas de Touro Indomável dele. Avança, erra o passe e aí é um Deus nos acuda. Sorte que o Juan não foi expulso – merecia – após ter enfiado o mãozão na bola.

A única graça do jogo foi ver o lado marginal de Felipe Melo em ação. Levou os encontrões entre volantes pro lado pessoal e partiu pra porrada. Muito engraçado! Fazia tempo que o Basil não tinha um botinudo assim pra juntar a gringalhada. Pena que o Dunga tirou…

Agora é que começa a Copa de verdade. Segunda-feira, pra ser mais exato. Aí sim vai dar frio na barriga quando o adversário atacar com perigo.

Muita gente prefere que o Brasil encare a Suíça ao invés do Chile, mas isso seria um pesadelo. A Suíça é o time do ferrolho mais aplicado do planeta, exatamente a deficiência maior do Selecionado Brasileiro. Tem que mandar a chilenada mesmo, muito mais fácil jogar contra quem pode se emocionar e partir pra cima, arregaçando o setor defensivo.

E com Robinho, Kaká e Elano, pelamordedeus…