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África do Sul 2 x 1 França

22/06/2010

E o Parreira conseguiu.

O que exatamente? Bem, uma série de coisas:

conseguiu sua primeira vitória em Copas do Mundo como técnico de uma Seleção não-brasileira, conseguiu ser o treinador da única equipe representante do país-sede a não passar para a segunda fase do torneio e conseguiu tirar a França do caminho do Brasil.

Pode ter conseguido também deixar uma impressão de alegria para o torcedor sulafricano, mas aí eu já não sei dizer, porque não conheço nenhum cidadão nascido naquelas terras e nem acredito que a eliminação, mesmo com vitória, seja considerada por qualquer apoiador dos bafana um resultado satisfatório.

Pelo menos o jogo foi bom.

A África do Sul é um time todo destrambelhado, que defende mal e não sabe sair jogando. Tem muita dificuldade em passar a bola da defesa para o meio e dali para o ataque. Por isso, costuma sofrer muita pressão quando o adversário sabe jogar.

De vez em quando, entretanto, conseguem apresentar lampejos de bom futebol. Mais uma vez, assim como ocorrera na primeira partida, dava a maior pinta de que a França conseguiria aplicar uma goleada e sonhar com a classificação, mas inexplicavelmente o time africano se ajeitou e passou a mandar no jogo.

O que eu mais gostava de ver nos jogos da África do Sul era a forma desengonçada como a equipe assumia o papel de protagonista da Copa do Mundo.

A gente ficava torcendo por eles, bem naquele esquema de “tadinhos…”, como se os pobre africanos representassem mais do que uma Seleção nacional de futebol, mas a honra do continente em si. Assim, sempre que a equipe apresentava erros bobocas de marcação e posicionamento, existia um tipo de graça no lance, tu queria torcer e torcia, mas não deixava de dar risada. Isso me divertiu muito.

No jogo de hoje eles tavam muito cagões. A bola batia em todo mundo e sempre sobrava pra eles. Sempre. No segundo gol, o Mphela não enxergou a bola, errou a finalização e, quando voltou a si, lá estava a pelota em seus pés, a menos de dez centímetros da meta vazia. Impagável.

Quando o Uruguai fez 1 a 0 parecia até que seria possível. Mas dava pra sentir que não aconteceria. Sabe, quando uma calssificação improvável como teria sido a da África acontece, tu meio que consegue sentir com antecedência que alguma coisa especial está prestes a aparecer.

No jogo de hoje não foi o caso. Mesmo uma França toda detonada como a de hoje não perderia de três ou quatro gols de diferença. As coisas não são assim. Futebol pode ser como um Kinder Ovo, tu nunca sabe o que vai ganhar quando abrir o ovinho de chocolate extrafino. Mas, fato certo, sabe que dentro do ovinho tem um outro menor, de plástico, com um brinde. Sabe que vai ganhar alguma coisa. E isso não é surpresa nenhuma.

Com a Copa fora de disputa os africanos devem fazer o que já vinham fazendo com um pouco mais de retarquimento: curtir a competição mundial apenas como um grande evento esportivo, lamentando a derrota de seus favoritos e gozando nas vitórias com o pau alheio. Não é pouco, a Copa do Mundo oferece muito entretenimento.

Esta, em especial, está se desenrolando como o melhor Mundial de Seleções desde 1994.

Tudo está bom demais. Até a música-tema da Copa do Mundo é legal, seja na versão do Samuel Rosa ou na do africano cantando em inglês, minha favorita.

E aí temos a Argentina com o Maradona e sua barba toda suja de pó, conferindo fanfarronice ao espetáculo, temos uma Seleção Brasileira sólida, cheia de atritos, dúvidas e polêmicas o que todos devemos admitir, é bem interessante… tem Seleção surpreendendo, outras decepcionando… estou gostando muito. Grande Mundial para se acompanhar bem de perto.

Daqui a pouco já rola a bola no jogo da Argentina, ou seja, lá vem mais pagação de pau por conta da imprensa brasileira. Tão gostando tanto do Maradona que já já aparecem blasfemando de novo, dizendo que foi melhor que o Pelé. Pior, do jeito que tá o negócio vão dizer que foi ele quem inventou o futebol.

Não sei se conseguirei acompanhar essa partida, mas vou tentar.

Mesmo que remota, qualquer possibilidade de derrota argentina serve como pretexto para engatar na torcida por uma outra Seleção.

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