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Gana 2 x 1 Estados Unidos

27/06/2010

Infelizmente não deu para meu segundo time.

Os donos do país mais jóia do mundo foram eliminados pela Seleção de Gana.

Foi um jogo muito bom, bem dentro do esperado. Sabia que uma equipe mediana como a norte-americana conseguiria protagonizar uma partida emocionante contra um africano de maior qualidade técnica.

Mas devo admitir que fui surpreendido. Gana foi muito superior aos Estados Unidos.

Eles jogaram usando um uniforme que parecia roupa de super-herói e aparentemente isso lhes deu alguns tipos de super-poderes. Supervelocidade e superforça sem dúvida nenhuma, porque meu deus do céu, como corriam, como chegavam os jogadores de Gana!

Os americanos foram engolidos desde o início da partida. Desde o primeiro momento já deu pra ver quem seria a presa e que seria o “presado” dentro do jogo.

O primeiro gol foi um bom exemplo. O negão pegou a bola, colocou força e habilidade e marcou, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Depois perderam inúmeras chances de liquidar a fatura, mas sem perder a superioridade.

Os americanos ainda empataram com um gol de pênalti do Donovan. A essa altura, devo admitir, eu já nem tava torcendo taaaaanto assim pros americanos. Quer dizer, eu acho que seria bom pro esporte em si poder gozar de maior interesse por parte dos americanos e a passagem para as quartas de final seria primordial para que isso acontecesse. Mas eu queria que Gana também vencesse.

Quer dizer, dá a maior pena desses times africanos. Logo que a gente fala em África a gente lembra como eles são sofridos por lá, vem à mente o esteriótipo do negrinho cabeçudo com barriga d’água passando fome e a antes que possamos voltar a racionalizar a situação já lamentamos os trocentos gols perdidos pelas Seleções daquele continente.

Além disso, todos os africanos foram pra casa. Não teve um Drogba, um Kanu que pudesse levar sua equipe mais longe.

Isso acontece por um motivo: as Seleções africanas são pavorosamente ruins no futebol. Ou melhor, sempre foram pavorosamente ruins no futebol.

A campanha de Camarões em 1990 foi apenas uma feliz exceção, nunca um exemplo da evolução do desempenho futebolístico naqueles lados do globo.

Durante a transmissão do jogo de Gana o Renê Simões, ex-técnico do Terceirense das Laranjeiras e eterno treinador de futebol feminino, disse sentir falta da “irresponsabilidade” do futebol africano, ou, em suas palavras, “daquela alegria, dribles, futebol pra frente”. O que o Gererê fez ao proferir essa triste bobagem foi apenas se apegar ao esteriótipo, ao folclore.

O futebol africano não era alegre, era apenas ruim, sem nenhuma noção tática. Isso não é uma virtude. Era triste ver tanto potencial jogado fora por conta da inexperiência de atletas que não possuiam estrutura suficiente para entender a forma como o futebol era jogado no mais alto nível.

Hoje, o esporte continuar em evolução por lá, mas o nível ainda é baixíssimo. Como bem disse o Parreira, isso acontece por conta da pouca participação de atletas africanos em times europeus, aí eles acabam não assimilando toda a malícia do esporte, não pegam o cacoete de jogar bola.

Posicionamento, linha de impedimento, cobertura, marcação, segunda bola… eles não sabem nada disso. Vez ou outra aparece um Okocha, que sabe driblar bem, mas que não alcança patamares maiores na carreira pois não possui noções básicas do futebol.

O que o futebol africano consegue de relevante no futebol mundial fica sempre restrito a boas campanhas ou títulos como Olimpíadas e Mundiais de categorias inferiores. Aí todo mundo acha curioso que os times africanos, tão fortes nessas competições, não conseguem vingar no profissa.

Mas existe um motivo para essa discrepância: todos os times africanos, sem exceção, disputam torneios de categorias de base com o time cheio de “gatos”. Gato, no jargão futebolístico, significa jogador de idade alterada, propositadamente ou não.

Explicando: imagine você, com 17 anos, disputando um torneio contra equipes sub-15. Ou melhor, imagine você e mais sete jogadores de 17 anos nessa situação. É lógico que seu time iria destruir a mulecada de 13, 14 anos. É exatamente isso que acontece com os times africanos.

Por lá, é extremamente comum ocorrerem falhas no registro das crianças, sendo que a maioria é apenas regularizada quando já tem dois, três anos. E em se tratando de juvenis, idade faz muita, muita diferença. Foi assim que a Nigéria venceu as Olimpíadas de 96 e Gana o Mundial Sub-20 do ano passado. E é por isso que no profissional, quando a idade já não faz frente à técnica, que os times africanos não conseguem apresentar bom desempenho em competições internacionais.

Por isso deu vontade de torcer para Gana. O que eles apresentaram dentro de campo não foi uma caricatura do conceito do bom selvagem, não foi uma dança alegre e bonita pra gringo ver e bater palma enquanto o time é massacrado detro de campo; foi apenas futebol bem jogado.

É virtualmente impossível que avancem para além das quartas-de-final, pois enfrentam o Uruguai, uma equipe que se a pouco tempo ressurgiu da quase extinção durante todo esse período por baixo pelo menos manteve a manha da catimba bem viva no DNA de seus jogadores. Ou seja, eles sabem como fazer para vencer a partida.

Assim, quando Gyan marcou o gol da classificação ganense(ganesa, sei lá…) no início da prorrogação, foi merecido, comemorado e guardado na história como o maior momento do futebol não apenas de Gana, mas de todo o continente africano.

Em sua segunda participação em Copas do Mundo, Gana superou a campanha passada – quando chegou às oitavas, sendo eliminado pelo Brasil por 3 a 0 – e mostrou que talvez exista sim esperança para um continente que, aos olhos do mundo da bola, era visto como uma promessa que não conseguiu entregar mais do que uma dúzia de decepções.

Uma relevância maior que qualquer tipo de esteriótipo esportivo.

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