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Flamengo 1 x 0 Botafogo

15/07/2010

Quem é que poderia esperar?

Com a equipe do Flamengo desmantelada, em meio ao caos da prisão do capitão do time, apenas a mística do clássico contra o Botafogo poderia suplantar o favoritismo alvinegro e passar os três pontos da vitória para o lado do período ruim vivido na Gávea.

Faz dez anos que o Botafogo não vence o Flamengo em partidas válidas pelo Campeonato Brasileiro. Ontem, ficou claro o porquê.

A lógica, assim como toda a imprensa esportiva, previa que o time de garotos + um velho do Flamengo seria facilmente derrotado pelo embalado Botafogo, que possuía um time melhor, contava com a volta de Jóbson e não teve o goleiro titular envolvido em nenhum assassinato escandaloso nos último dias.

Mas lógica alguma consegue fazer sentido no embate entre os dois protagonistas.

O problema do Botafogo é acreditar que o combalido Campeonato Carioca serve de termômetro para se avaliar a qualidade do time.

Vai ano, vem ano e a diretoria cai nessa mesma armadilha, com aval da torcida que, envolta num misto de raivinha egoísta e inveja do Flamengo, deixa a arrogância fazer crer que realmente o bando de perna-de-paus que consegue marcar dois gols no Tigres do Brasil é uma equipe bem montada de futebol.

Sob essa visão provinciana de adoração ao próprio umbigo, o centro-avante Caio, autor de o que, uns cinco gols no Carioquinha rapidamente foi alçado à posição de grande revelação do futebol brasileiro. Hoje, injustamente tenta corresponder à expectativa, obviamente sem sucesso.

O resto do setor ofensivo é formado pelo bom Jóbson – que ainda tem muito a provar – e por dois batedores de pênalti estrangeiros.

Para piorar, o Botafogo é um time de uma jogada só: bolas alçadas na área para os 1,93 cm do uruguaio Loco Abreu. Sem o gringo à disposição, a jogada não existe.

Pra vencer duas, três partidas, clássicos em fase de mata-mata essa postura até basta. Mas para um torneio de pontos corridos, com jogos fora de casa e diversos adversários diferentes, é muito pouco.

Joel Santana sabe disso, assim como sabia que não contaria com o atacante na partida de ontem. Teve mais de um mês para se preparar para o desfalque. E, ainda assim, não conseguiu ajeitar a equipe para essa deficiência.

O Botafogo foi um bando em campo.

O Flamengo entrou em campo com o pavoroso Wellinton como titular na zaga, além de ter o limitadíssimo Rômulo como principal volante de contenção no meio, encabeçando o setor defensivo. A meia-cancha contou com Kléberson, volante que não sabe marcar e meia que não consegue criar, ocupando espaço na escalação rubro-negra. E, ainda assim, o Botafogo não conseguiu dominar o setor.

Tudo bem que o Flamengo tem o maior ladrão de bolas do Brasil efetuando a marcação, mas isso não é desculpa. O Flamengo vinha de péssimos resultados, fragilizado por acontecimentos extra-campo e com uma escalação bem sem-vergonha. O jogo era todo pro Fogão.

Mas o Flamengo tem Petkovic.

Quando a bola chega em seus pés, é como se o tempo parasse. Como se o próprio futebol pedisse um segundo a mais aos afoitos adversários para deixar o talento do sérvio decidir o melhor destino da pelota.

Cada vez que o torcedor assiste ao passe espetacular de Patkovic no lance que terminou com o gol do Flamengo, deve lamentar o boicote que o jogador sofreu durante todo o primeiro semestre, fruto da diretoria amadora e sem comando que o time possuía antes da chegada de Zico.

Talento puro. E cada vez mais raro.

Na conclusão do lance, Vinícius Pacheco recebeu a redonda do Pet e rolou para – pausa – Paulo Sérgio marcar o gol da vitória.

Paulo Sérgio, a escurraçada promessa, o fracasso em forma de jogador, dos 500 gols da base para o total esquecimento, para novamente ter uma chance de mostrar que presta após dar uma vitória importante ao Flamengo.

Se Paulo Sérgio conseguir se transformar num bom jogador, ótimo para o rubro-negro. Se não conseguir, pelo menos dá pra zuar o amigo botafoguense… Paulo Sérgio sempre deixa o dele contra os Chorões.

Mas não vamos nos enganar: o time do Flamengo está longe do que pode ser considerado bom. Mesmo com os reforços Renato, Val Baiano e Corrêa, o Mengão não forma uma boa equipe. Deve ficar de fora do grupo da Libertadores e terminar o campeonato na parte intermediária da tabela.

O trabalho sendo feito dentro da Gávea é de limpeza. Resultados modestos, equanto acontece uma reestruturação.

Até que se torne realidade, devemos curtir esses poucos momentos em que o Flamengo cheio de garotos consegue aprontar pra cima de equipes superiores, trazendo um pouco de graça ao nosso futebol.

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