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Gilberto Silva, é?

28/07/2010

Os veículos de comunicação anunciaram na noite desta terça-feira que o Flamengo acertou a contratação do volante Gilberto Silva, pentacampeão, titular pela Seleção Brasileira na Copa de 2010 e atual jogador do Panathinaikos da Grécia.

O Rubro-negro envolveria o jogador numa troca com o flamenguista Kléberson, além de mais alguns detalhes no negócio.

O que acontece, é que nada ainda foi concluído.

Ao que consta, Kléberson teria pedido muito dinheiro ao clube grego, dando uma bela esfriada nas negociações, além de mais alguns pequenos problemas burocráticos que costumam acontecer sempre que um clube sem dinheiro se mete a contratar jogador de nome.

Ainda assim, existe a possibilidade do volante ex-Galo pintar no Mengão nas próximas semanas.

A questão a ser levantada agora é: Gilberto Silva pode ser considerado um bom reforço?

Sim, pode. Mas vamos analisar com calma…

Tudo o que o Flamengo não precisava, era de mais um volante. O time atual já conta com Rômulo, Corrêa, Toró, Willians, Maldonado, Lenon, Antônio e o próprio Kléberson, que, saindo, dará lugar a Gilberto Silva.

Oito volantes para uma equipe de primeira grandez é um número muito elevado, principalmente quando a equipe profissional conta com apenas três meias ofensivos(Petkovic, Camacho e Vinícius Pacheco, que joga no ataque), pelo que eu me lembro.

Levando em conta a dificuldade que o Flamengo tem para marcar gols, fica mais do que claro que o stor defensivo do meio-campo não é a prioridade da Gávea. Quer dizer, com o principal articulador prestes a completar 38 anos e com Diego Maurício e Val Baiano no ataque, a crise é mesmo no setor responsável por decidir partidas.

Mas é aí que tá o mais importante: qualquer clube pode utilizar um jogador do nível de Gilberto Silva, não importa a posição de atuação.

Apesar de ter feito uma bela Copa do Mundo, Gilberto Silva não era o jogador que enchia os olhos dos torcedores da Seleção Brasileira. Entretanto, existe uma grande diferença entre jogar um Mundial e disputar Carioca, Copa do Brasil e Brasileirão. Gilberto Silva se destacaria sem problemas no atual cenário do futebol nacional.

Mas isso não é o mais importante.

O mais importante é como seria feita a negociação com o jogador.

O Flamengo não apenas contaria com o volante como ainda ganharia o meia Cleyton e o perdão de 700 mil referentes a dívida pelo zagueiro David. Em troca, Kléberson e mais um ou dois jogadores da base.

O que deve ser levado em consideração nesse cenário é a realidade financeira do clube. Não existe dinheiro disponível. E – felizmente – não existe mais um dirigente inescrupuloso mais interessado em iludir a torcida com contratações bombásticas que só servem para atrasar salários e gerar dívidas que estouram nas mãos dos administradores das próximas gestões.

Zico assumiu o futebol rubro-negro com um compromisso acima de todos: responsabilidade.

Isso significa que o Flamengo não irá disputar o título brasileiro em 2010, possivelmente nem mesmo em 2011. Significa que a classificação para a Libertadores é um sonho distante e que o torcedor deve se contentar em ver o time chegando ao final da competição na parte intermediária da tabela.

Quando o Flamengo acertou com Val Baiano e Leandro Amaral não foi porque Zico entendeu que os dois são os jogadores que o time precisa no momento, mas sim porque ambos traziam consigo um pequeno detalhe muito relevante: o baixo custo para contratar e o baixo valor de seus salários.

O Flamengo está passando por uma reestruturação. Melhor, por uma limpeza. Todo o lixo, todo amadorismo, toda a imundice, está sendo botada pra fora. Isso significa fechar a mão na hora de contratar, significa ter parcimônia com as finanças do clube. E, infelizmente, significa um Flamengo mais fraco.

A curto prazo, vai ser difícil para o torcedor entender como essa postura administrativa possa trazer benefícios. Mas trata-se de um trabalho longo, que só trará resultados no futuro.

Zico assumiu a função de Diretor de Futebol pelos próximos três anos. Apoiar o Galinho quando jogava com seu talento monstruoso ao lado de Leandro, Júnior e Andrade era fácil. Nunca o eterno camisa 10 precisou tanto do apoio da Nação Rubro-negra quanto agora.

Caso seja contratado, Gilberto Silva não será artilheiro do Brasileirão, não ajudará o clube a vender mais de 1 milhão de camisas. Mas será o símbolo de um Flamengo que luta para se tornar o gigante que a torcida se acostumou a ver, o gigante que nunca deveria ter deixado de ser.

De Val Baiano em Val Baiano a gente chega lá.

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