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Sem ataque? Sem comando!

23/08/2010

Acabou a paciência.

Rogério Lourenço não tem condições de ser técnico do Flamengo.

Se a decisão de tirá-lo do cargo cabe apenas a Zico, então o Galinho está cometendo um gravíssimo erro ao manter o pavoroso ex-zagueiro como o responsável pelo planejamento tático da equipe.

Rogério comanda o Flamengo mais bagunçado da história recente do clube.

Não existe padrão de jogo, formação tática ou mesmo posicionamento de atletas.

Willians fica cacarejando o campo todo. O volante, famoso por ter sido o maior ladrão de bolas da edição 2009 do Brasileirão, pode ser visto atuando como ponta-direita e até mesmo como meia caindo pela esquerda.

Corrêa e Petkovic sofrem dessa síndrome da posição aleatória.

Alguns, cegos ou complacentes demais, não conseguem enxergar o erro do Zico, a incapacidade de Rogério.

“O Flamengo não tem ataque”, argumentam.

Em 2007, quando o Flamengo saiu da penúltima posição ao terceiro lugar, o time possuía ataque?

Os jogadores da função, na época eram Souza, Obina, Maxi, Paulo Sérgio e Leonardo.

São grandes jogadores? O Flamengo possuía um grande ataque? Algum desses jogadores resolveria a falta de gols do time atual?

A resposta é um óbvio “não”. Mesmo para 2007 os nomes já eram considerados ruins. A diferença entre aquele Flamengo para o atual é uma prancheta na mão e atende pelo nome de Joel Santana.

Antes da fama trazida pelos vídeos do YouTube, Joel assumiu o Flamengo em 2007 com a dificílima missão de resgatar o time da Zona de Rebaixamento e trazer uma posição digna àquela equipe. Conseguiu ambos, com louvor.

O que Joel Santana fez e que realmente faz muito bem, foi identificar as fraquezas da equipe – no caso, o setor ofensivo – e corrigir o problema com o material humano que possuía no momento.

Além de não possuir bons atacantes, o Flamengo também sofria a ausência de meias ofensivos de qualidade. Sendo assim, Joel colocou a responsabilidade de criar jogadas de ataque nos ombros dos dois laterais, Léo Moura e Juan.

Para que os laterais tivessem liberdade para subir, Joel criou a “Tropa de Elite”, um meio-de-campo de quatro homens formado exclusivamente por volantes, tendo Ibson como o jogador mais à frente, algo mais próximo de um meia. Chegava na frente para concluir, mas a principal função era fazer a bola sair do setor defensivo para o ataque/Léo Moura/Juan.

Lá na frente, Joel escalava Souza. Como o Flamengo não possuía meias, Souza segurava a bola lá na frente, esperando a subida dos laterais.

Com esses esquema, o Flamengo conseguiu a terceira posição no Campeonato Brasileiro – até então sua melhor desde a fórmula por pontos corridos – e se classificou para a Taça Libertadores.

A diferença do trabalho de Joel para o de Rogério é que Joel sabe treinar uma equipe.

Joel encontrou o elenco e percebeu exatamente o que deveria fazer para que as carências da time fossem contornadas.

Rogério faz exatamente o oposto.

Desde que ele assumiu, o Flamengo joga absolutamente da mesma maneira: um 4-4-2 com os jogadores espalhados dentro de campo, num Deus nos acuda atrás de um golzinho que possa garantir a vitória.

Rogério mais do que ninguém sabia que Adriano e Vagner Love seria logo dispensados e que o time não poderia mais jogar em dupla de um par de atacantes que não estava mais no clube. Mas ele não mudou a forma de jogar. E, sem o talento do Império do Amor, o setor ofensivo parou de funcionar.

Em 15 partidas, o treinador não fez sequer UMA alteração tática que tivesse a menor pretensão de acertar o problema.

Alguns conseguem enxergar mérito na defesa do Flamengo. A mesma defesa que levou a virada do Goiás em 2 minutos, no Maracanã, a mesma defesa que cedeu o empate para o Avaí também em jogo dentro de casa.

Entendem, os defensores de Rogério, que o fato do time ter levado apenas quatro gols desde o término da Copa é uma virtude, algo a ser comemorado.

Pois é, o atual Campeão Brasileiro não marca gols, mas, de vez em quando, também não leva.

Torcer para o Flamengo, hoje, significa torcer para o adversário não marcar nenhum gol. Assim, na base da cegueira estatística, o time volta pra casa com um ponto garantido.

O torcedor do Flamengo costumava ser mais ambicioso.

Se posicionar a favor de Rogério Lourenço e seu Flamengo do empate ideal é apequenar tudo aquilo que o clube já conquistou, inclusive o hexacampeonato de menos de um ano atrás.

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