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Luxemburgo chegou

06/10/2010

Aquilo que eu mais torcia para que não acontecesse infelizmente se tornou realidade.

Vanderlei Luxemburgo é o novo técnico do Flamengo.

Segundo a diretoria do clube, o salário do treinador será de impossíveis R$ 520 mil, totalmente incompatíveis com a realidade do clube e, até mesmo, do futebol brasileiro.

Certo que existem hoje no mercado os chamados “técnicos de ponta” e que estes recebem entre 200 a 500 mil reais – valor obsceno a se pagar por um profissional que não entra em campo para decidir uma partida.

Como sempre digo, técnico bom é o que funciona, independente do nome ou do valor do ordenado.

A diretoria do Flamengo, que ano passado foi Campeão Brasileiro pagando cerca de 50 mil a Andrade, deveria ter consciência desse fato e, no mínimo, ter negociado melhor o valor dos vencimentos de Luxemburgo, que vem de uma série de fracassos retumbantes, inclusive sendo demitido do Atlético-MG por ter deixado o clube exatamente no lugar em que o Flamengo teme alcançar.

Mas fica pior, muito pior.

De acordo com informações Luxemburgo receberá – por direito exigido no contrato – controle sobre as categorias de base do clube, além de se tornar o responsável pelas obras do novo CT, que nem no papel estão.

Em outras palavras, muito dinheiro será gerado para os bolsos do “profexô” através da marca Flamengo, sem que o clube receba qualquer vantagem ou sequer garantia.

Caso o desavisado leitor não tenha conhecimento, Vanderlei Luxemburgo é parceiro de J.Hawilla, o homem por trás da Traffic, o terror empresarial dos grandes clubes brasileiros.

Através da parceria, Luxemburgo enfia perebas pertencentes à empresa nos clubes onde trabalha, com o objetivo de inflacionar o passe do atleta e gerar lucro aos donos do jogador – “será” que rola uma comissãozinha para o “intermediário” Luxa?

Assim, muitos jogadores de qualidade discutível são contratados e ganham a vaga de atletas mais capazes que não participam do esquema.

Pergunte ao torcedor do Palmeiras se ele se lembra de Jumar, Fabinho Capixaba, Jefferson e Lenny.

Ou melhor, pergunto ao torcedor rubro-negro: lembra-se do Fierro?

O jogador chileno veio para o Flamengo através de outra parceria da Traffic, dessa vez com o nefasto Kléber Leite, então vice de futebol do Flamengo.

Foi pago, ou melhor, foi acertado um valor suspeitamente alto pelo jogador, algo entre 300 mil a 500 mil reais por um ano(comissão?) e, como o Flamengo não tinha dinheiro para pagar, acabou por ceder o jovem zagueiro Fabrício à Traffic.

Para o Flamengo, um péssimo negócio: sofreu para pagar(caro) por um jogador sem condições de ser titular, repassou Fabrício, promessa que atuava na Seleção Brasileira de base, a preço de banana e não recebeu nenhum centavo quando o jogador deixou o clube e se transferiu para o Palmeiras.

Para a Traffic, um excelente negócio: ganhou um bom dinheiro pelo empréstimo de um ano de Fierro que, aliás, vem se arrastando faz meses, adquiriu os direitos do jovem zagueiro Fabrício por uma merreca e ainda valorizou o chileno, que mesmo jogando muito pouco continuou a ser convocado para a Seleção de seu país e disputou a Copa do Mundo da África(na reserva).

Renegado e esquecido no Flamengo, Fierro, o jogador da Traffic, parceira de Luxemburgo, volta a ser notícia.

Foi relacionado pelo treinador para o jogo contra o Atlético-GO.

Coincidência?

Além dele, outra novidade… o desaparecido zagueiro Marlon também ganhou uma convocação do “profexô” e integra a delegação da próxima partida.

Será que existe um “motivo especial” para a lembrança do treinador ou já estamos vendo Luxemburgo “tomando conta” do elenco?

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Propaganda x Realidade

28/09/2010

Olha só isso… é, eu sei o que você deve estar pensando… pensei a mesma coisa: que vontade de comer um Big Mac! Não, na verdade um Whopper :9

Mas o ponto aqui não é o quão saboroso esses sandubas são na vida real. Mas o quanto são feios. Quer dizer, porra, tu paga lá seus 15, 16 reais na promoção pelo lanche com fritas e refrigerante e é isso que tu recebe? A versão velha-hippie-vadia-junkie-que-abusou-demais-nos-anos-60-hoje-em-dia.

Mas devemos dar o braço a torcer aos profissionais do ramo da propaganda. Prova de que estão realizando um serviço belíssimo. Aliás, como podemos saber se na verdade os lanches SÃO aberrações horrorosas e que as fotos lindas e apetitosas não são 100% criações publicitárias?

Como diria o porteiro do prédio da praia, o saudoso Tio BiIiIIii “Tá vendo… como que se engana os enganadô…” pois nenhum de nós pode afirmar ao certo, já que nenhum lanche tão bonito quanto o das fotos foi jamais visto nas mãos de uma gordona esfomeada que almoça todo o dia no McDonald’s.

Inclusive é justo afirmar que são os publicitários que dão graça às refeições que fazemos no McDonald’s e Burger King exatamente por conta dessas fotos. Tooooodo mundo adora ver programa de transformar baranga em gostosa, digo, em “gostosa” desde Extreme Makeover até aqueles genéricos fajuta do SBT. O que os publicitários fazem é exatamente isso. Não é divertido? Hã? Era um sanduíche feio e ficou bonito? Mágica cara, pura mágica…

Mas temos que cumprir nosso dever e fazer justiça ao lixo que consumimos: semana passada comi um Whopper e ele estava muuuuuuuuuuito mais apetitoso que esse ali de cima, que parece ter sido surrado pela gangue do Johnny(pega ele Larusso!). Veio grande, bonito e muito suculento.

O campeão em servir sapato é sem dúvida nenhuma o McDonald’s. Eu, que já queria parar de comer essa bomba calórica fazia um tempo, desisti completamente quando recebi, em sequência, lanches feios, mal montados, feitos sem carinho nenhum e muito sem gosto(e também quando abriu o Burger King na minha cidade). Porra, os caras mandam mal até na hora de fazer aquele sorvete com Twix, que basicamente é jogar Twix em cima de um pote de sorvete!

Mas de todas as imagens acima, nenhuma é mais chocante que a do Taco Bell. Tem coisa faltando de uma foto pra outra e até coisa  a mais na versão feia. Onde está minha carne moída? Que merda de molho branco é esse?

A única coisa que serve de consolo é que Taco Bell, bonito ou feio, é um troço ruim de doer e a gente nem ia comer essa merda mesmo…

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Por que a torcida do Flamengo tem raiva do Andrade?

14/09/2010

No último domingo, o Esporte Espetacular exibiu uma reportagem com Andrade, o ex-técnico do Flamengo que comandou o time no título brasileiro do ano passado.

Andrade está desempregado. Ao repórter Regis Roesing, explicou não entender o motivo de seu abandono profissional. Falou emocionado e se mostrou bastante chateado com a situação.

Não é a primeira vez que Andrade fala sobre seu período de desemprego não forçado. Nas minhas contas, é a terceira vez que um períodico esportivo procura Andrade para saber o porquê do primeiro técnico preto a conquistar um Brasileirão não ser, hoje, comandante de equipe nenhuma do Brasil.

Normal que esteja chateado. Religioso, Andrade parece ser daqueles que ao alcançar a posição ambicionada agradece aos céus e se esquece de que nada ainda está definido.

No caso, após o hexa, perdeu o emprego no Flamengo. É difícil para pessoas que consideram ter, finalmente, recebido o prêmio por anos de batalha assistir ao castelo ruir. Muitos entram em choque, outros beiram a loucura e há ainda os que, como Andrade, ficam desnorteados e magoados sem entender o porquê. É uma situação completamente normal.

Mas essa situação não responde uma pergunta: por que a torcida do Flamengo tem tanta raiva de Andrade?

Não é o ex-treinador que procura repórteres para desabafar, mas ao contrário. E, mesmo que a iniciativa partisse do Tromba, por que há de causar irritação ao torcedor?

Andrade é apenas mais um brasileiro procurando aquilo que acha justo para si. No papel de ídolo do clube – conquistado à base de grande futebol, quatro Brasileiros, uma Libertadores e um Mundial – merece todo o respeito que um coração rubro-negro pode oferecer.

E respeito, nesse caso, pra quem é auto-suficiente e egoísta demais para perceber, significa simplesmente lamentar que o técnico que finalmente conseguiu tirar o Flamengo da fila está passando por dificuldades, não importando que tipo de dificuldades são essa. E significa torcer, como as bancadas do Maracanã costumavam torcer pelo Andrade jogador, para que consiga o que busca e alcance sua felicidade.

É triste fazer parte de um povo de memória tão curta.

Em 16 anos acompanhando de perto o Flamengo, já vi treinadores de todos os tipos botando a mão no time. Desde profissionais considerados os melhores da função, como Paulo Autuori, Vanderlei Luxemburgo, Abel Braga até apostas sem tanto prestígio como Ney Franco, Júlio César Leal e Apolinho(!!). Todos fracassaram.

Ano passado, Andrade herdou o problemático grupo do técnico Cuca, outro “grande” de alto salário e nome famoso. Chegou lá, resgatou jogadores deixados de lado, montou o time e foi campeão.

Isso é mérito, é orgulho. É motivo pra comemorar. Mas pro torcedor do Flamengo, parece que causa vergonha.

Pra torcida rubro-negra o que vale é grife. É nome. Quer confete, festa, estrela. Adora bajular o técnico “profexô” de terno e gravata, ignorando o que o tempo ensinou sobre quem é que ganha os títulos na Gávea.

Técnico bom é o que funciona.

Não interessa quanto ele ganha, se é famoso, se é estrela. Quando dá certo, tem que ser aquele.

Não foi por acaso que o Flamengo venceu o Brasileirão de 2009.

o Palmeiras vinha muito mal, cheio de problemas com Luxemburgo. Demitiu o treinador e em seu lugar entrou o interino Jorginho. O time se acertou, venceu partidas em sequência, engrenou. Os jogadores pediram que Jorginho ficasse. A diretoria preferiu contratar o exorbitante Muricy e o título, praticamente certo, fugiu do Parque Antártica.

O mesmo aconteceu com o Grêmio na Libertadores. Preferiu o nome de Paulo Autuori, um técnico consagrado, caro e que teria que começar o trabalho todo do zero ao interino Marcelo Rospide, que havia ajeitado o time. Terminou eliminado da Libertadores. Autuori foi demitido algum tempo depois.

Ainda assim, existe gente que afirma que “Andrade não é técnico”.

A esse torcedor do Flamengo, ignorante, fico com pena, pois não conhece a história do clube que diz armar.

Quem é o maior técnico da história do Flamengo? O mais vencedor?

Errou quem pensou nos grandes treinadores da história do futebol brasileiro.

Luís Carlos Nunes da Silva, o Carlinhos, é o maior treinador rubro-negro de todos os tempos.

Conquistou duas Taças Guanabaras(1988 e 1999) três Campeonatos Cariocas(1991, 1999 e 2000) uma Copa Mercosul(1999) e dois Campeonatos Brasileiros(1987 e 1992).

Carlinhos era treinador de verdade? Alguém consegue lembrar outra equipe treinada por Carlinhos? Outro título conquistado fora da Gávea?

Sejá qual for a resposta que o amigo flamenguista tente encontrar, Carlinhos foi um dos grandes jogadores da história do Flamengo, que mesmo após se aposentar continuou dentro do clube e, lá mesmo, migrou para a função de treinador, estendendo seu repertório de alegrias destinadas à torcida.

Exatamente como Andrade.

Um dia, ele voltará ao comando técnico do Flamengo.

Nós, os flamenguistas de verdade, ficaremos felizes com a contratação do treinador.

Restará aos pagões apenas se envergonhar e pedir perdão quando levantarmos, todos juntos, mais uma taça.

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O ataque do Flamengo no Brasileirão

04/09/2010

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Guarani 2 x 1 Flamengo

29/08/2010

O que foi que aconteceu?

O Flamengo venceu o Guarani por 1 a 0 em Campinas na tarde de domingo. Aí, o Guarani foi lá, fez dois gols e o Flamengo perdeu. E aí sim a partida terminou.

É normal que o torcedor encare o resultado aos 46 do segundo tempo como definitivo. Agora, o que não pode acontecer, são os jogadores pensarem da mesma forma antes do juiz soprar o apito final.

E foi exatamente o que fizeram. O Guarani, inferior no jogo todo, não quis nem saber e inventou dois golzinhos cagados nos acréscimos. Méritos do Bugre? Não, deméritos do Flamengo. Certo, toda vitória acontece graças ao esforço de uma equipe, da capacidade de acreditar no impossível, mas não tem desculpa. Era um jogo ganho.

Fosse Bruno ainda o goleiro do Flamengo, seria destroçado pelos críticos pelos gols que Marcelo lomba levou. Mas faça-se justiça, não falhou em nenhum dos dois tentos, pois houve desvio de jogadores flamenguistas em ambas as oportunidades.

Como estamos no Brasil, a pergunta que a torcida faz é a de sempre: de quem foi a culpa?

Eu não acredito muito em culpas individuais dentro de um campo de futebol e acho que são diversos os fatores que levam uma equipe da vitória certa à derrota desastrosa. Mas a culpa foi do Val Baiano.

É inconcebível que um atacante, um centro-avante, atuando na escola pentacampeã de mundo de futebol, vestindo a número 9 do clube de maior torcida do mundo não tenha a capacidade de dominar uma bola e marcar um gol cara a cara com o goleiro ou apenas de testar uma bola pra dentro de um gol vazio.

Claro que a falta de capacidade da MULA GORDA do Val Baiano não serve como desculpa para a frouxidão exibida pelos atletas rubro-negros ao final da partida. Mas, recapitulando os acontecimentos desta tarde, entre omissão e incompetência, é o semblante de vendedor de feijoada do Val Baiano que me causa mais raiva.

Alguns ainda acreditam que o problema do Flamengo é o preparo físico. É sério isso? Porque se fosse mesmo o que veríamos seriam jogadores tentando correr em cima de Reinaldo, quando este recebeu a bola livre de marcação e arrematou. Ou se esforçando para marcar a cabeçada de Aílson. Nesse cenário, de suposta falha no preparo físico, a vontade está lá, mas falta a capacidade muscular.

Não foi o que houve. Não foi esforço sem resposta ligeira do corpo. Foi acomodação e desleixo.

Silas, coitado, foi até o estádio acompanhar a situação da equipe que acabou de assumir. Deve ter ficado desanimado. Apesar de mostrar várias qualidades e algum potencial, os problemas do Flamengo atual são muito, muito preocupantes.

Talvez demore algumas rodadas para que monte seu time ideal ou para que, na base da motivação, uma de suas especialidades, consiga tirar do organismo rubro-negro o vírus responsável pela falta de comprometimento da equipe. Será necessário muita paciência, tanto por parte do treinador quanto da torcida.

Muito embora bastará que não escale mais Val Baiano esntre os titulares para que caia de imediato nas graças da Nação.

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Sem ataque? Sem comando!

23/08/2010

Acabou a paciência.

Rogério Lourenço não tem condições de ser técnico do Flamengo.

Se a decisão de tirá-lo do cargo cabe apenas a Zico, então o Galinho está cometendo um gravíssimo erro ao manter o pavoroso ex-zagueiro como o responsável pelo planejamento tático da equipe.

Rogério comanda o Flamengo mais bagunçado da história recente do clube.

Não existe padrão de jogo, formação tática ou mesmo posicionamento de atletas.

Willians fica cacarejando o campo todo. O volante, famoso por ter sido o maior ladrão de bolas da edição 2009 do Brasileirão, pode ser visto atuando como ponta-direita e até mesmo como meia caindo pela esquerda.

Corrêa e Petkovic sofrem dessa síndrome da posição aleatória.

Alguns, cegos ou complacentes demais, não conseguem enxergar o erro do Zico, a incapacidade de Rogério.

“O Flamengo não tem ataque”, argumentam.

Em 2007, quando o Flamengo saiu da penúltima posição ao terceiro lugar, o time possuía ataque?

Os jogadores da função, na época eram Souza, Obina, Maxi, Paulo Sérgio e Leonardo.

São grandes jogadores? O Flamengo possuía um grande ataque? Algum desses jogadores resolveria a falta de gols do time atual?

A resposta é um óbvio “não”. Mesmo para 2007 os nomes já eram considerados ruins. A diferença entre aquele Flamengo para o atual é uma prancheta na mão e atende pelo nome de Joel Santana.

Antes da fama trazida pelos vídeos do YouTube, Joel assumiu o Flamengo em 2007 com a dificílima missão de resgatar o time da Zona de Rebaixamento e trazer uma posição digna àquela equipe. Conseguiu ambos, com louvor.

O que Joel Santana fez e que realmente faz muito bem, foi identificar as fraquezas da equipe – no caso, o setor ofensivo – e corrigir o problema com o material humano que possuía no momento.

Além de não possuir bons atacantes, o Flamengo também sofria a ausência de meias ofensivos de qualidade. Sendo assim, Joel colocou a responsabilidade de criar jogadas de ataque nos ombros dos dois laterais, Léo Moura e Juan.

Para que os laterais tivessem liberdade para subir, Joel criou a “Tropa de Elite”, um meio-de-campo de quatro homens formado exclusivamente por volantes, tendo Ibson como o jogador mais à frente, algo mais próximo de um meia. Chegava na frente para concluir, mas a principal função era fazer a bola sair do setor defensivo para o ataque/Léo Moura/Juan.

Lá na frente, Joel escalava Souza. Como o Flamengo não possuía meias, Souza segurava a bola lá na frente, esperando a subida dos laterais.

Com esses esquema, o Flamengo conseguiu a terceira posição no Campeonato Brasileiro – até então sua melhor desde a fórmula por pontos corridos – e se classificou para a Taça Libertadores.

A diferença do trabalho de Joel para o de Rogério é que Joel sabe treinar uma equipe.

Joel encontrou o elenco e percebeu exatamente o que deveria fazer para que as carências da time fossem contornadas.

Rogério faz exatamente o oposto.

Desde que ele assumiu, o Flamengo joga absolutamente da mesma maneira: um 4-4-2 com os jogadores espalhados dentro de campo, num Deus nos acuda atrás de um golzinho que possa garantir a vitória.

Rogério mais do que ninguém sabia que Adriano e Vagner Love seria logo dispensados e que o time não poderia mais jogar em dupla de um par de atacantes que não estava mais no clube. Mas ele não mudou a forma de jogar. E, sem o talento do Império do Amor, o setor ofensivo parou de funcionar.

Em 15 partidas, o treinador não fez sequer UMA alteração tática que tivesse a menor pretensão de acertar o problema.

Alguns conseguem enxergar mérito na defesa do Flamengo. A mesma defesa que levou a virada do Goiás em 2 minutos, no Maracanã, a mesma defesa que cedeu o empate para o Avaí também em jogo dentro de casa.

Entendem, os defensores de Rogério, que o fato do time ter levado apenas quatro gols desde o término da Copa é uma virtude, algo a ser comemorado.

Pois é, o atual Campeão Brasileiro não marca gols, mas, de vez em quando, também não leva.

Torcer para o Flamengo, hoje, significa torcer para o adversário não marcar nenhum gol. Assim, na base da cegueira estatística, o time volta pra casa com um ponto garantido.

O torcedor do Flamengo costumava ser mais ambicioso.

Se posicionar a favor de Rogério Lourenço e seu Flamengo do empate ideal é apequenar tudo aquilo que o clube já conquistou, inclusive o hexacampeonato de menos de um ano atrás.

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Internacional é campeão da Libertadores

18/08/2010

Os colorados tentam fazer de conta que é cedo para comemorar. Mas não é: o Internacional já é campeão sulamericano.

Hoje, embora seja jogo já decidido, será emocionante assistir ao Colorado disputar a finalíssima da Libertadores contra o Chivas, diante de sua torcida. Daí vai ser campeão, toca o hino, a Globo coloca uma animação meio furreca na tela… é difícil de se admitir, mas é muito legal quando um clube brasileiro – mesmo que não seja o teu – vence a Copa Santander dos gringo.

E vamos ser sinceros, não dá pra ter raiva do Inter. Não é como Vasco, Corinthians, Grêmio ou outras equipes que o pessoal tem mais a manha de torcer contra – incluo meu Flamengo nessa daí também, sejamos justos, é o time mais invejado do Brasil.

Com o Internacional é diferente.

Talvez por terem ficado desde 1979 até 2006 sem representar ameaça aos times que disputaram os principais títulos nesse período, talvez por serem mais oranizados que o resto, talvez por viverem em seu próprio mundinho onde tudo é vermelho… simplesmente não tem como odiar o Internacional(excluo dessa afirmação, evidentemente, a torcida do Grêmio).

A única oportunidade em que torcemos contra o Internacional é quando este enfrenta nossas agremiações do coração. E aí, na verdade, não torcemos contra o Inter, mas a favor de nossos times. Entre as duas atividades existe gritante diferença.

Faz poucos dias cumprimentei um amigo pelo título, expressando minha felicidade pela conquista. Ele pareceu sinceramente comovido. O fato é que de minha parte houve mesmo franqueza. Fico quase feliz pelo título do colorado.

É muito ruim torcer contra. Quando acaba a partida e a torcida deu resultado, beleza, tu ri, zoa, faz o diabo. Mas o jogo torna-se um desprazer, é ruim, pesado. Tu acaba sofrendo por conta de uma partida que não tem nada a ver com o que tu mais gosta do futebol… é horrível.

Como é o Internacional, todo simpático e inofensivo aos nervos, a partida torna-se um deleite. Dá pra curtir a conquista de um título que se, não te faz bater o coração forte nem soma um título à galeria do seu clube do coração, pelo menos não te faz sentir raiva.

E como eu particularmente odeio argentino, é muuuito bom ver a bambinada sentando na piroca e um brasileiro vencendo mais uma vez o torneio. Pena que o Flamengo tem o Rogério Lourencó, senão ano que vem era nosso com certeza.

Parabéns ao colorado pela conquista.

Mas falando sério, vai parar por aí, porque não ganha da Inter de Milão nem fudendo…

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… e olhe pra ISSO!!!

13/08/2010

O horror, o horror…!!

Lembra quando ele era Ronaldinho?

Por causa dessa… dessa COISA, desisti de viajar até Florianópolis para assistir ao jogo entre Avaí e Corinthians. Sim, o Fenômeno seria o motivo principal da viagem – eu pretendia, 14 anos depois, rever o atacante dentuço jogando no palco barriga-verde do Estádio da Ressacada.

Naquela ocasião do passado, fui ao estádio florianopolitano para conferir Brasil x Dinamarca, último amistoso da Seleção Olímpica brasileira em território nacional, antes de enfrentar um selecionado do resto do mundo e perder o ouro para a Nigéria de Kanu.

O Brasil venceu por 5 a 1, com um golaço dele, Ronaldinho, aos 19 anos, recém-contratado pelo Bracelona por 20 milhões de dólares.

Mas no próximo domingo não vai ter Ronaldinho na Ressacada. O motivo? Ronaldinho não existe mais. Deu lugar a Ronalduchãozão, esse que você enxerga na fotografia acima. E Ronalduchãozão não tem condições físicas de disputar uma partida profissional de futebol na primeira divisão brasileira.

É deplorável que a situação tenha chegado a esse ponto. É um desrespeito com a instituição Corinthians e com seu maior patrimônio, os torcedores. 2010 foi um ano decepcionante para quem esperava grandes atuações do camisa 9.

Quando o Corinthians venceu a Copa do Brasil e alcançou o maior objetivo de 2009 – disputar a Taça Libertadores no ano do centenário – todos apostavam que Ronaldo, exibindo bom futebol, seria a arma principal do Timão para conquistar o inédito título da competição. E todos perderam a aposta.

Ao invés de motivar, a classificação precoce para o torneio sulamericano fez com que Ronaldo se acomodasse. Sem precisar buscar a vaga no Brasileirão, o atacante acabou por jogar poucas partidas nesse campeonato, já que, a grosso modo, nem seria mesmo necessário.

Apesar de ter marcado 12 gols, um número bastante considerável, seguiu descuidando da forma. Simplesmente não ligava, não dava a mínima. Tudo apontava para o atual cenário: o descuido durante as férias, a péssima atuação na Libertadores, a pausa para a Copa do Mundo…

E aí virou Ronalduchãozão. Não quer mais saber de jogar futebol, não tem nenhum interesse em recuperar a forma. Não é chamado de ex-jogador em atividade simplesmente porque, para tanto, teria que de fato estar em atividade.

A única questão que impede que Ronaldo se aposente em definitivo, é o contrato com o Corinthians. Ronalduchãozão embolsa muito mais de 1 milhão de reais por mês sem jogar. Pior, sem jogar, sem treinar e sem ao menos buscar voltar a fazer tudo isso novamente.

O clube sabe que o compromisso será honrado até dezembro. Ronaldo também. Por conta disso todo esse teatro, toda essa enganação de jogos-treino e desculpas esfarrapadas dos médicos do clube. Por conta disso, o torcedor deve aceitar, constrangido, as impossíveis defesas que o técnico Adílson Batista é obrigado a fazer em prol da manutenção da dignidade do atacante.

O pior de tudo? Ele deixou de disputar algumas partidas no Brasileirão do ano passado para se recuperar de uma lipoaspiração, que em questão de poucos meses teve seus efeitos definitivamente anulados pelo estilo de vida boêmio e regado a exageros gastronômicos do atacante.

Se fosse no Flamengo, eu estaria revoltado, cornetando muito. Não importa o que Ronaldo já fez no passado. O Corinthians não gasta uma fortuna com seus salários e bonificações para que ele seja um símbolo.

Sim, ele fez com que empresas se interessassem em expor na marca Corinthians, beneficiou o clube com sua imagem. Mas o fez isso com o acerto de que, pelo seu lado,  jogaria futebol. Foi contratado para jogar futebol. E agora, mancha – mais uma vez – sua carreira com atitudes indignas para um astro de nível mundial, esperança da segunda maior torcida do país.

Ronalduchãozão é uma piada, uma anedota. Para o futebol, hoje, serve apenas para que os jogadores de Pro Evolution Soccer aumentem ao máximo a barriga de seus Ronaldos e divirtam-se com aquela coisa redonda e grotesca comendo a bola no videogame, único território onde o jogador não passa vergonha exercendo seu ofício.

Lembra quando ele era Ronaldinho?

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Bitan Recomenda: Inception

11/08/2010

“You’re waiting for a train, a train that will take you far away. You know where you hope this train will take you, but you can’t be sure. But it doesn’t matter – because we’ll be together.”

É mais fácil lembrar sobre o que você sonhou noite passada do que a última vez em que foi ao cinema e pagou para ver um bom filme.

Particularmente, trata-se de um fato. Recordo-me com facilidade das histórias sonhadas durante o sono da última noite, um pesadelo longo protagonizado por um Freddy Krueger curiosamente em forma feminina seguido por um adorável romance de temas eróticos; puro entretenimento. Sobre o último bom filme a ser visto numa sala de cinema, no entanto, não possuo nem vaga memória.

Tudo bem que esteja ignorando Shrek Forever After, que realmente fez valer o dinheiro a mais investido num par de óculos 3D devolvidos ao término da sessão. Mas é proposital. Apesar de muito divertido, o longa não passa de um apanhado de sketches de comédia envolvendo personagens que o público conhece bem, até demais. Artisticamente, é um filme previsível, com um enredo construído à base de clichês e com um final à Deus ex machina. Por isso, não classifico como um bom filme.

Dessa forma, Inception – ou A Origem, em brasileiro, como preferir – dispara como a melhor realização cinematográfica sobre a qual minha inapta memória possui total senso de apreciação.

É como se algum produtor subitamente resolvesse criar – ou permitir que fosse criada – uma peça completamente original que, fora o nome de astros estampando os cartazes, não parecia oferecer nenhum tipo de atributo que pudesse atrair o espectador comum, junto com seus bolsos cheios de dinheiro, às salas de cinema.

O enredo deve confundir as mentes mais preguiçosas, acomodadas por anos testemunhando sucessivamente a mesma história, pasteurizada cada vez mais em novos filmes, diferentes atores e sempre o mesmo final, ou melhor, sempre a mesma conclusão, o grande ponto final . Dessa forma, o roteiro encontra seu grande mérito: não pede desculpas por ser complexo nem subestima a inteligência do espectador que sempre espera mais quando permite que lhe contem uma história.

A trama do longa, à modo bem resumido, trata sobre um grupo de pessoas – mais especificamente o personagem de Leonardo DiCaprio, Dom Cobb – especializadas numa categoria bastante única de espionagem industrial: atuam dentro dos sonhos das pessoas. Por conta de  alguns fatores que você conhece assistindo ao filme, são contratados para inserir em um jovem herdeiro de um poderoso homem de negócios a idéia de dividir todo o império deixado por seu pai, a beira da morte.

Daí, predomina a competência de Cristopher Nolan, provavelmente o melhor diretor, tanto dos aspectos cênicos quanto técnicos da produção de um longa metragem, que Hollywood pode oferecer no momento.

Nolan parece infalível dentro de sua arte. Apareceu para o mundo como nome de sucesso após dirigir o excelente Amnésia, filme em qual também realizou um grande trabalho como roteirista e que o levou a ser escalado para uma produção de porte maior, estrelada por Al Pacino e Robin Willians. Insomnia, entretanto, não atingiu grande êxito e Nolan parecia ser apenas mais um caso-comum do iniciante que tropeça na grande chance de dar sequência à excitação causada por seu trabalho de estréia.

A história mudou quando o cineasta apresentou Batman Begins. Não apenas um filme que conseguiu ressuscitar a carreira do super-herói morcego na tela grande, mas um trabalho em que era possível enxergar mais que apenas um bem-sucedido início de franquia para a DC Comics, indícios de um bom filme, acima da segregação do gênero “quadrinhos”.

E se Batman Begins teve seus lampejos de genialidade, The Dark Knight, a sequência do filme do Batman, definitivamente colocou Christopher Nolan no panteão de grandes realizadores da atualidade. Foi o primeiro longa, o primeiro film de super-heróis. Quebrou completamente a barreira entre um gênero dedicado a filmes-pipoca e as grandes obras de uma era. Nolan provou que sempre, sob qualquer circunstância mercadológica, é possível fazer um grande filme. Entre os dois Batmans, ainda lançou The Prestige, outro grande filme, sobre a rivalidade entre dois mágicos(Hugh Jackman e Christian Bale, o próprio Bata).

Após The Dark Knight e com a sequência já em fase de produção, é normal que um cineasta desse calibre encontrasse outro trabalho, mais pessoal, menor, buscando apenas a satisfação pessoal. Foi exatamente o que Nolan fez, em partes.

Inception é sim uma menina dos olhos do diretor, mas nunca deixa de ser um filme ambicioso, recheado de astros. Christopher Nolan faz com que todos os elementos envolvidos trabalhem a seu favor: atores, efeitos especiais, roteiros… o filme flui sem exageros, sem as iscas usuais para o cliente-padrão dos filmes-pipoca.

Quer dizer, é óbvio que ali dentro encontram-se as doses usuais de romance e explosões, afinal de contas ainda estamos falando de uma produção de um grande estúdio de Hollywood, mas nada parece forçado, nada parece fora do lugar. Roteiro e diretor trabalham para que cada personagem e ação funcione como uma peça importante da engrenagem que faz mover a realidade do filme. E conseguem, com amplo sucesso.

Talvez o que mais faça com que a experiêcia de assistir ao filme seja tão recompensadora seja a prosaica sensanção de que estamos assistindo a uma história interessante ser bem contada.

Geralmente os filmes que possuem muitos astros na escalação acabam parecendo um amontoado de nomes que estão ali apenas para deixar o pôster do filme mais apetitoso, ou como quando vamos tirar uma foto com muita gente e alguns chatos que nem nos lembrávamos que estavam presentes se espremem para aparecer. Em Inception temos bons atores em seu devido lugar, com o tempo certo de tela, mesmo que seja pouco.

Michael Caine segue sendo o eterno Alfred de todos os filmes de Christopher Nolan. Embora não faça mais que uma ponta, é sempre enriquecedor para um filme contar com sua voz de velhinho e semblante frágil, porém forte e sábio.

O único aspecto que não agradou completamente foi o teor um tanto quanto “cinematográfico” de alguns diálogos. Sob circunstâncias especiais as pessoas normais se portam como pessoas normais e não como comunicadores empostando a voz para fazer um discurso.

Por vezes, principalmente na interação entre os personagens de Ellen Page e Leonardo DiCaprio, é como se o lado humano, real, das pessoas comuns, fosse tomado por legítimos personages de ficção científica dos anos 1950, com frases meio prontas, meio robóticas, de efeito preciso e estética calculada. Não compromete o resultado final, mas confere uma aura de irrealidade que causa um tanto de afastamento entre público e personagens.

Neste momento, as lembranças sobre os sonhos da noite passada já não são mais fortes como horas atrás. Mas a opinião sobre Inception permanece inalterada: trata-se do último grande filme pelo qual paguei para assistir no cinema e acredito que o será ainda por muito tempo, mesmo após novas visitas às grandes salas – e às pequenas também – do shopping center de Blumenau.

Só por não se tratar de mais uma porcaria embrulhada em 3D com aumento de preço, já vale a sessão.

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Palhaçada à Sulamericana

05/08/2010

Hoje, São Paulo e Internacional se enfrentam pelas semifinais da Taça Libertadores da América, ou melhor, da Copa Santander Libertadores.

O vencedor fica com a vaga na final e, automaticamente, a vaga no Mundial de Clubes da FIFA que acontece em dezembro.

É isso mesmo, antes que o título seja decidido, SPFC ou Internacional já estarão garantidos no principal torneio do calendário de compromissos dos clubes de futebol.

Isso acontece porque o outro participante classificado para a fase final é uma equipe mexicana, o Chivas.

O Chivas participou do torneio como clube convidado para compensar a participação do ano passado, quando foi eliminado junto com o San Luís por conta da crise de gripe suína existente no país. Dessa forma, o clube mexicano entrou na Libertadores a partir das oitavas-de-final.

O problema é que, como o México pertence à Concacaf, Confederação Norte Americana de Futebol, e não à Conmebol, Confederação Sulamericana nem o Chivas nem qualquer outro clube mexicano pode ficar com a vaga no Mundial da FIFA se vencer a Libertadores, pois pelo regulamento da entidade máxima do futebol, a vaga é da Conmebol, para times da Conmebol que vencerem o torneio continental da Conmebol.

Infelizmente nossa confederação se submete a cagadas como essa e temos que aturar verdadeiras aberrações, como essa Libertadores de 2010. Desde 2008 já corria o risco de algo do tipo acontecer, mas é apenas quando se concretiza é que percebemos o quão danosa uma administração ruim pode ser.

Imagine você, torcedor do Internacional: o time vence a partida de hoje. Muitas serão as comemorações, afinal de contas o time conseguiu se classificar para o Mundial de Clubes e pode sonhar com o bicampeonato no torneio.

O time é favorito para a final contra o Chivas e segue bem no Brasileirão. Acontece que a acomodação de já estar garantido no Mundial faz com que o Inter não valorize como deveria a final contra o Chivas e acabe perdendo o título para o clube mexicano. Tristeza, mas não tem importância. Afinal de contas, a cabeça da torcida e da diretoria já está lá em dezembro.

A campanha no Brasileirão começa a piorar, reflexo da concentração e preparação para o Mundial, que parece que não chega nunca. No final de novembro, o Internacional, já de malas prontas, deixa a vaga na Libertadores escapar. Até que chega dezembro e a busca pelo bi tem início.

O time é forte, se classifica para a final contra a Inter de Milão sem problemas. Mas, na final, os europeus mostram porque são multicampeões e se consagram donos do mundo. O que sobrou da alegria pela vitória sobre o São Paulo?

O Internacional não venceu o Chivas, deixou escapar o título do Brasileirão por conta da concentração para o Mundial e voltou para a casa de mãos vazias, sem ao menos contar com o consolo de ser o campeão da Libertadores.

Imagine esse cenário, torcedor colorado. Você consideraria ter valido a pena o presente de grego da Conmebol – a vaga antecipada no Mundial?

É lógico que pode não acontecer. De fato, o Internacional é favoritíssimo hoje contra o SPFC e no futuro contra o Chivas e pode vir a ser bicampeão mundial, assim como o próprio São Paulo pode conseguir tal façanha. O que eu quero dizer é que é justo que um clube de futebol, com milhões de torcedores, que tanto lutou na Libertadores, tenha que correr o risco de acabar o ano da forma mais desastrosa possível?

Nenhum clube brasileiro – ou sulamericano – merece.

Somos todos palhaços nesse circo do bambino doido montado pela Conmebol.