Archive for the ‘Eu só quis dizer…’ Category

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2012: eu só quis dizer…

18/05/2010

Todo mundo que acredita que o mundo vai acabar em 2012 é imbecil.

Como acontece em todos os grande lançamentos milionários do cinema norte-americano, um executivo do marketing do estúdio se aproveita do “fato” histórico em que o roteiro foi baseado para sugerir alguma credibilidade – e interesse do consumidor – na película prestes a ser exibida no cinema.

Assim, os filmes ganham avisos de que a obra foi “baseada em fatos reais” e matérias sobre o tal assunto em veículos de comunicação voltados ao setor cinematográfico ou que simplesmente fazem parte do grupo de empresas cujo dono do estúdio é o principal acionista.

Isso significa que, mesmo que não apareça diretamente relacionado ao filme, o tal “fato” chega aos ouvidos populares de diversas formas. E assim, nessa pequena corrente de informações comerciais, é possível enxergar uma historieta que inspirou um rascunho de filme se tornar numa justificativa para provas da idiotice da sociedade.

Ou, simplesmente, nego é muito burro.

Supostamente o mundo vai acabar porque uma profecia maia disse que em 2012… o mundo vai acabar. Assim, jogado de forma simples e superficial. Esse é o “argumento” ou pior, a “prova” de que estamos temos apenas dois anos para nos arrepender dos pecados cometidos e ir para o céu.

Mas óbvio que é um pouco mais complexo. Aliás, quanto mais complexo fica, mais claro que é uma idiotice o caso se torna.

A tal “profecia maia” seria na verdade um calendário que esse povo já extinto criou na época em que viveu, lá pelo século VIII. Acontece que o tal calendário só vai até o ano de 2012. Aí, por conta disso, acreditam que os anos param de ser contados ali porque o mundo vai acabar. Sim, leia de novo se pareceu idiota demais(vai continuar parecendo).

Já pararam pra pensar que os maias não fizeram o maldito calendário além de 2012 por, sei lá, preguiça? Por simples falta de utilidade prática?

Faz muito mais sentido que qualquer um dos maias, um povo avançado e inteligente, chegou pro Criador de Calendários e falou “tá certo cara, pode parar, 2012 já tá bom. A gente nem vai estar vivo até lá, deixa que mais tarde continuam essa merda… acaba aí e vai lá ajudar na roça”.

Afinal de contas, como eles poderiam saber?

Até onde eu sei não foram os maias que inventaram a privada. E como é que um povo que ainda caga no mato vai ser foda o suficiente pra adivinhar o fim do mundo?

Se eles realmente pudessem adivinhar quando as coisas vão acabar – e lembrando que no caso as “coisas” são um grupo de sociedades que junta mais de 6 bilhões de pessoas – porque não previram quando eles mesmo iam ser extintos? Nem demorou tanto assim.

Parece até aqueles videntes charlatões que vão no Fantástico, que cobram pra dizer pras pessoas quando elas vão morrer, pra escrever cartas de parentes mortos, pra prever o futuro e que não conseguem nem adivinhar que o Corinthians vai cair nas oitavas de final da Libertadores.

O mundo já “acabou” trezentas vezes. Sempre enfiam alguma profecia do Nostradamus em algum lugar e dizem “é hoje”. Mas nunca é. Hoje, a figura de Nostradamus nada mais significa que a de um velhinho barbudo inofensivo, uma espécie de Papai Noel, que ao invés de presentes entrega adivinhações que sempre dão errado.

O problema é que as pessoas que acreditam nessas baboseiras não conseguem manter uma linha de raciocínio coesa. Se tu perguntar pra elas, “ok, e como o mundo vai acabar” a resposta vai ser “ah, vai acontecer um montão de coisa”.

Não, não vai.

Não tem a menor possibilidade de, do nada, brotar um meteoro que vai colidir com a Terra. Para que realmente um pedaço de pedra espacial acabasse com a Terra, teria que ser um puta dum pedaço de pedra espacial. O maior pedaço de pedra espacial da porra do Universo. E, ainda assim, ele não seria atraído para dentro de nosso humilde planetinha.

Isso sem contar que nós temos as duas melhores armas contra meteoros de todo o universo: tecnologia e Bruce Willis.

O gelo da Terra também não vai derreter. Aquecimento global queima tudo, blábláblá, mas o fato é que já ficou provado que o derretimento de umas calotas aqui e acolá é mais do que natural, e que não existe risco do iceberg do Titanic atacar de novo, dessa vez afogando ao invés de quebrando no meio.

Mesmo que acontecesse algo parecido, nem a pau que ia dizimar toda a população do mundo. Tem idéia de quanto chinês tem por aí? De quantos indianos existem? Mesmo que nenhum deles saiba nadar, sobe um em cima do outro e se salva, só nessa manobra simples, mais de 1 bilhão.

Então nem perca o sono, ou melhor, nem seja burro. Não vai acontecer. O mundo com certeza vai acabar, mas vai ser muito além de 2012. Vai ser algo para os tataranetos do seu neto se preocupar, bem no futuro, numa era em que a ciência curou a maioria das doenças, a fome mundial já foi resolvida, o homem já fez contato com seres extraterrenos e é possível aumentar o tamanho do pênis através de cirurgias estéticas.

Agora, se você continua acreditando nessas asneiras, então aproveite o pouco tempo que lhe resta: vá ler um livro bem longo, gaste o dinheiro da pensão com prostitutas, saia do armário, se suicide e mostre pra esses malditos maias quem é que manda… mas faça isso antes de 2012, antes que o Godzilla chegue de nave mate a todos nós!

Mas te peço uma coisa só: pare de encher o saco dos outros com essa merda de fim do mundo! Principalmente o meu.

Porque, cara, quando chegar 2012 e não acontecer absolutamente nada eu vou te zuar, mas vou zuar muito; te encher o saco tanto que desejarias que o mundo tivesse, de fato, acabado.

Eu sei disso porque os maias me contaram.

Os maias e a Mãe Diná.

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3D: eu só quis dizer…

24/02/2010

Após o sucesso de Avatar, o mundo da tecnologia voltou os olhos – de novo – para a projeção em 3D. No entanto, diferente de outras ocasiões, acreditam que dessa vez ele veio para ficar. Já se fala em transmissão de partidas de futebol em 3D e televisões que venham equipadas com o formato.

Como consumidor assíduo de programas de televisão, acredito que o 3D é exatamente como a geladeira com internet: inútil.

O 3D vai fracassar no século XXI assim como fracassou algumas vezes no século passado.

Entendo que, como sempre, assim que uma tecnologia “nova” é anunciada a maioria dos entusiastas e bobalhões se excite frenéticamente e acredite estar diante de uma revolução sem limites. Isso acontece porque não há discernimento. Na cabeça dessas pessoas, não existe o “tá, mas eu vou querer isso?” existe apenas o “OBA É NOVO ENTÃO EU QUERO!”

Mas aqui a gente analisa. Pensa e posta. E aposta. Claro que o 3D pode dar certo, mas não tenho medo de errar, apenas digo o que eu acho. Seria pouco Cirilo de minha parte não fazer dessa forma.

Então vamos lá: existem três problemas crônicos que vão decretar o fracasso do 3D:

O 3D em si

Por mais que James Cameron tenha dado ênfase ao processo de produção de Avatar – que foi filmado em 3D e não de modo convencional para daí ser passado para a tecnologia – as diferenças entre o resultado “novo” e o convencional são praticamente imperceptíveis.

Isso significa o mesmo que significava no século passado: a primeira vez que tu assiste é legal, depois nem tanto e depois foda-se esses óculos imbecis. Por que não posso levar pra casa?

A tecnologia 3D não é auto-suficiente, não se garante. Ou seja, seus efeitos não sustentam uma revolução ou um novo nicho de mercado. Nunca sustentaram. É simplório. A única graça é quando as coisas voam da tela pra tua cara – coisa que nunca acontece em Avatar – e mesmo assim o impacto é reduzido a cada sessão. O que nos leva ao próximo ponto…

Aplicabilidade

O 3D será usado em transmissões esportivas, como jogos de futebol e corridas de Fórmula 1.

Como espectador de futebol, não consigo enxergar o mínimo benefício no 3D esportivo.

Num primeiro momento, o único lance que parece realmente vantajoso é quando a bola vai pra fora, mas se contar quando é num ataque do time adversário e o nervosismo supera o entretenimento, por que eu vou torcer pro meu time chutar a bola pra fora?

“Ai minha nossa, parece que a bola vai bater na minha cara!”

O consumidor de futebol não quer saber se os jogadores está ali, pertinho dele na sala, eles querem ver o time jogar bem e vencer. E não estão dispostos a trocar os ângulos privilegiados das câmeras de TV por algo que nos leve “pra dentro do jogo”. Eu só quero assistir a um maldito jogo de futebol!

Mesma coisa com a F1. Não interessa se parece que se está dentro do carro. O que importa é ver a corrida. Fã de esporte gosta de ver esporte e não quer saber de firulas tecnológicas pra melhorar algo que já julga perfeito. E se quer efeito em 3D, vai ao cinema ou ao Maximotion no Beto Carreiro World.

Entusiasmo

Todo mundo defende o 3D, exalta como nova “tendência” mas ninguém sabem explicar exatamente como isso vai acontecer.

Aliás, de concreto, nada aconteceu.

Hoje ainda somos reféns de poucos títulos disponíveis que não dão a menor pinta de que vão criar uma revolução. Pode até se estabelecer como um nicho legalzinho para filmes infantis, mas não vai mudar o mundo porra nenhuma. Dá até pra ver os DVD’s vindo junto com óculos, como acontecia com Toppo Giggio no Castelo do Drácula(mas aí o brinde era uma dentadura de plástico).

Os malditos óculos 3D.

Feios, desconfortáveis e inúteis. Mas o pior é que tu não pode levar pra casa depois do filme, o que significa que ele ficou na cabeça caspenta de outra pessoa antes de tu usar.

Especialistas dizem que no futuro as transmissões em 3D não vão precisar de óculos. E essa sim é a melhor notícia sobre o 3D. Ou será que não?

Bote na balança: o que soa melhor(ou bem mais barato): um par de óculos 3D ou uma TV de Led equipada com a tecnologia 3D sem a necessidade de se usar óculos?

O que vai acontecer é que o preço irá desencorajar os compradores e por consequência, o baixo número de televisores vendidos não conseguirá manter a produção de programas em 3D. É uma indústria fadada ao fracasso.

É perigoso investir tanto numa coisa que no máximo pode se dizer que é legalzinho.

Chega a ser ridículo como alguns produtores dizem que as possibilidades são “infinitas”. Principalmente porque com os brinquedos da Disney já vimos à exaustão diversos usos para o 3D e nenhum causa entusiasmo.

O único futuro que consigo vislumbrar no 3D é na indústria de entretenimento adulto.

Um filme pornô em 3D é algo fascinante, inovador!! Imagina só aquela tua atriz favorita se curvado, com a bunda, os peitos e tudo mais bem pertinho, indo direto pra tua direção. Não é o máximo??

O único problema será se os produtores de filmes pornôs também decidirem que o bom do 3D é quando as coisas parece que saem da tela e que vão te acertar bem na cara. E anatomicamente, existe apenas uma opção óbvia para desempenhar esse papel da forma correta.

Realmente não existe a menor possibilidade do 3D emplacar…


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Linguística do futebol: eu só quis dizer…

09/02/2010

Futebol é um meio bastante complexo.

Trata-se de um esporte cheio de jargões, teorias e conceitos mirabolantes.

Entretanto, toda essa rica composição de valores muitas vezes serve apenas para entregar um entendimento diferente à mais simples das verdades do esporte: quem é bom, é bom com a bola nos pés.

Muitas vezes passamos uma partida inteira sem ver determinado jogador tocar na bola. Comentaristas e treinadores explicam que  fulano é muito importante para o esquema ou que desempenha função tática.

Isso quer dizer apenas, pura e simplesmente que o citado jogador é um perna-de-pau.

“Aplicado taticamente”, “executa função tática”, “faz a bola girar” são apenas formas pomposas de dizer que o jogador não sabe jogar bola ou que não é bom em nenhuma outra coisa curta e grossa que realmente seja sinônimo de bom futebol, como “passar”, “marcar” e “chutar”.

O esporte está cheio de exemplos como esse.

Quando um atacante “gosta de jogar de costas para a defesa” significa que não adianta depositar nele a esperança de ver gols marcados, porque ele simplesmente não marca gols. Ora diabos, se um atacante está de costas para a defesa está também de costas para o gol e, a não ser que seja um dínamo mágico e consiga disparar potentes chutes de calcanhar, o tal atacante pouco chutará a gol, inclusive mostrando muita dificuldade ao cumprir esse fundamento.

Um grande favorito dos comentaristas brasileiros é o que pode ser chamado de “fator bicho-papão”: acontece quando o jogador não aparece no jogo, não chuta, não cria, não passa, não marca e nem é mencionado pelo narrador, mas o comentarista faz questão de exaltar sua performance pois ele está “assustando” os adversários com a sua presença.

Curiosamente apenas jogadores com certo grau de consagração no futebol assustam zagueiros. Outros mais desconhecidos que exercem essa função são geralmente substituídos, vaiados ou detonados por comentaristas esportivos.

“Assustar o adversário” é o que faz todo aquele atleta que joga apenas com o nome.

Uma das mais conhecidas variações é a “experiência”. Ela é atribuída a todo o jogador que chega ou passa dos 30 anos. Claro que o jogador veterano tem um conhecimento aprofundado do que acontece dentro de campo, mas quando a tal experiência é tudo de melhor que ele pode oferecer então chamá-lo de “experiente” é apenas citar a última coisa perto de uma qualidade que ele ainda pode oferecer ao time.

Exemplo: “o Corinthians entre em campo hoje com o talento do artilheiro Ronaldo, a habilidade do argentino Defederico e a experiência do meia Tcheco”.

Outra forma bastante comum de exaltar o perna-de-pau e agregar valor a seu nome é usar um título importante somo seu primeiro nome.

Às vezes o jogador anda tão sumido no jogo e parece tão improvável que um dia já tenha jogado bem que cabe ao narrador lembrar à torcida que quem tocou a bola foi “o pentacampeão Kleberson”, “o tetracampeão Ronaldão” ou, em menor escala, “o campeão da Libertadores pelo Vasco da Gama Nasa”.

Esses são apenas alguns exemplos de como a língua portuguesa empregada pelos profissionais do esporte na televisão podem mudar conceitos sobre muitos jogadores. O pior é que funciona e em pouco tempo aquele pereba experiente, que sabe cadenciar o jogo está embarcando rumo à Europa.

Desconfie dos que falam demais. Acredite nos seus olhos e conhecimento futebolístico. Tem muita gente querendo nos empurrar perna-de-pau…

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Kindle: eu só quis dizer…

11/01/2010

Na década passada e até mesmo no início desta década, era muito comum assistir no Fantástico da Rede Globo reportagens sobre a “casa do futuro”.

A tal morada apresentava uma série de inovações arquitetônicas e tecnológicas. Uma vez a casa do futuro era feita de plástico, na outra possuía uma dispensa que avisava por telefone que estavam faltando ovos na casa. Sempre uma série de parafernálias inúteis que o tempo mostrou que não vingaram.

A última reportagem de casa do futuro mostrada pelo Fantástico que eu me lembro de ter visto foi ao ar há mais ou menos uns 10 ou 11 anos. Me lembro da matéria porque uma das atrações da casa me chamou a atenção: a geladeira com internet.

A geladeira com internet, pelo que me lembro, era um trombolho com uma tela na porta. Através da tela a cozinheira podia acessar a internet e fazer as compras sem sair de casa ou mesmo acessar receitas para a família. Ou ver ponografia de pé na cozinha.

Apenas um pensamento me veio à mente ao ver a geladeira com internet: “ninguém vai querer esse troço”

Mais de uma década se passou e as geladeias, obviamente, não possuem acesso à internet. Reportagens sobre a casa do futuro rarearam, mas o mundo continua cheio de parafernálias inúteis que não vão vingar. E uma dela me chamou muito a atenção, bem ao estilo “geladeira do futuro”: o Kindle.

O Kindle, pra quem não sabe, é um novo gadget lançado no mercado, o que automaticamente significa que a geekarada toda vai comprar, não importa o que ele faça, afinal de contas, é um gadget.

E o que ele faz? Bem, o Kindle é um ebook reader, ou apenas, “tipo um iPod” com livros ao invés de músicas, filmes e fotos. Isso mesmo, se o mundo tecnológico fosse uma high school americana e o iPod o aluno mais popular, o Kindle seria aquele nerd chato e tedioso.

Através do Kindle, o usuário tem a possibilidade de ler livros, jornais e até acessar blogs.

Antes do Kindle surgir, só era possível ler livros e jornais e blogs se você tivesse disponível um par de olhos(um só também serve, embora seja necessário um pouco de prática) funcionando com alguma perfeição.

Por que as pessoas vão querer um Amazon iReader Google Bookshit Software? Não seria muuuuuuuuuito mais fácil, dixa eu ver, hã… comprar um maldito livro?

“O Kindle é tão bom que eu posso levá-lo para todos os lugares”

E se a portabilidade do aparelho não é o suficiente para convencê-lo de sua utilidade, o preço de mercado brasileiro certamente falhará em fazê-lo: o Kindle custará ao brasileiro R$ 1000. Um conto. Sabe quantos livros dá pra comprar com esse dinheiro? Quantos jornais? Quantas Hustler?

Além disso, é necessário pagar pelo download de livros. Não apenas pelo livro em si. Mas existe uma taxa de download de U$ 1,99 por item. Um preço aparentemente modesto, mas muito salgado pra gente apenas colecionar um monte de “livros inteiros” que não vai nem ter tempo de ler porque estamos ocupados brincando com coisas legais que nosso iPod sabe fazer.

Segundo o Ministério da Cultura, o brasileiro lê, em média, 1,8 livros por ano.

Se esse texto fosse uma luta de boxe e os participantes fossem Matemática x Kindle, Matemática já teria nocauteado o Kindle umas duas vezes e estaria a ponto de ter sua orelha decepada por uma mordida(que metáfora genial EU SEI).

Entre os pontos positivos do Kindle está a duração da bateria. Graças ao uso do E-Ink ela dura por dias. Realmente uma grande vantagem para aquelas horas em que acaba a luz e não tem nada pra fazer, mas um dado bem boboca se comparado ao tempo de duração da bateria de um livro de papel.

Fora tudo isso, existe ainda o maior “fator Geladeira do Futuro”: as pessoas gostam de ir às livrarias comprar livros.

Se existe serviço de entrega de supermercado pela internet, por que as pessoas insistem em fazer as compras pessoalmente? Por que não pedem através do computador da geladeira?

R: porque quem gosta de cozinhar, quem precisa cuidar da casa, assim como quem gosta de ler e tem o hábito de comprar livros, precisa estar lá. E “precisa” não se refere apenas a necessidade, mas a satisfação pessoal que todos nós sentimos ao realizar uma atividade que nos cause prazer.

Quem realmente gosta de ler – mais de 1,8 livros por ano – não vai trocar as livrarias pelo prazer de pagar U$ 1,99 para baixar um livro. E é exatamente esse ponto o que torna o Kindle um artefato dos mais descartáveis.

Fora, é claro, o princípio do aparelho, que basicamente complica algo que era fácil, tenta melhorar o que já era perfeito, falha miseravelmente e cobra uma fortuna por isso.

Se você pensa em comprar um Kindle, uma sugestão: pegue 1000 reais e vá até a maior e mais monstruosa cadeia de livros de sua cidade e gaste tudo lá. Compre esse aqui, ó que legal. Tem no Kindle?

Ou apenas compre um iPod e gaste o resto em mé.

Durante o Festival de Publicidade de Gramado de 2007, assisti a uma palestra que falava sobre a nova maravilha tecnológica da internet e da publicidade: o Second Life.

Na ocasião, em meio ao entusiasmo, achava a idéia revoltantemente idiota e fadada ao fracasso. Infelizmente a timidez de uma opinião inevitavelmente ridicularizada me impediu de levantar e dizer ao palestrante “com licença, mas daqui a três anos ninguém vai sequer lembrar que essa merda existe”.

Quanto ao Kindle, não vou perder a chance:

Daqui a três anos, ninguém vai sequer lembrar que essa merda existe.


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O Homem Bicentenário: eu só quis dizer…

29/12/2009

Depois do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Gênio Indomável, Robin Willians desandou a fazer filme ruim.

Praticamente todos – e por “praticamente” eu quero dizer “exatamente” – foram realizações mal sucedidas em que Willians apresentava uma atuação não menos que desastrosa.

Uma das películas realizadas nessa época foi O Homem Bicentenário. O título faz menção ao personagem de Willians, o robô Andrew, ter “sentimentos” humanos e viver pra sempre por ser uma máquina.

Na verdade, o filme deveria se chamar Se Meu Dildo Falasse.

A história mostra uma família comprando o tal Andrew. Aparentemente, no futuro, é moda comprar robôs para perambularem dentro de casa enquanto a família questiona sua utilidade e zomba dele.

Aí, ele mostra que é diferente, por ter sentimentos humanos, como compreensão e até… amor.

O que tira o enredo da pieguice é que a filha do casal se apaixona pelo robô. Isso mesmo, ela se apaixona. E não é por um robô humanóide não, é mesmo por esse bonecão de aço inox que tem na capa do filme.

Isso já faz a gente pensar.

Mas ele não pega. Ainda.

Décadas se passam, o robô fica mais inteligente, mais humano, ganha uma carcaça que imita pele e se apaixona pela tataraneta(ou algo assim) da outra lá que se apaixonou por ele. E ela se apaixona pelo robô. E eles casam e vivem felizes pra sempre, até ela morrer e ele pedir pra ser desativado pra morrer junto com ela.

Muito pode se falar ou filosofar sobre a humanidade – ou não – do robô, sua capacidade de amar, etc. Mas não há necessidade. A questão é simples.

O robô Andrew é o homem perfeito.

Ele combina a sensibilidade de um poeta com a voracidade sexual de uma Sybian machine.

Tudo o que ele tem são os sentimentos: ele ama, vê beleza e fica maravilhado. Mas não fica de mau humor, não repara em celulites nem em gostosas aleatórias na rua.

Ele, aliás, não liga pro aspecto físico ou biológico do sexo. É um apenas um dildão: a mulher só tem que ter vontade, ligar e desligar quando quiser. Ele simplesmente não vai se importar, vai até ficar feliz por ter sido útil. Além de que a idade da mulher não interfere na performance de Andrew, que também não broxa, não tem ejaculação precoce nem pega DSTs.

E sabe qual é o pior? Além de ser um orgasmo ambulante, o filha da puta do robô ainda ganha dinheiro. Muito dinheiro.

Ele tem a habilidade de esculpir madeira e outras coisas, fazendo uma série de relógios de parece lindos e caros. Como ele não precisa de dinheiro, adivinha quem é que fica com todo o arame das vendas? A mulher do Homem Bicentenário…

É muito capaz que os produtores, o roteirista ou mesmo o criador da história não tenha enxergado as obviedades de seu enredo, acreditando que o espectador ia mergulhar num sonho filosófico sobre o que é, de fato, ser humano.

Pois O Homem Bicentenário nos prova que qualquer um pode ser humano, mas apenas uma máquina pode ser um amante eficaz, incansável e um provedor competente e eterno.

Humanos de carne e osso, com data de vencimento, incapazes de ser uma máquina de orgasmos múltiplos e caixa eletrônico, sacos de ossos e merda se tornarão obsoletos no futuro mostrado em O Homem Bicentenário. A não ser, claro, para fins de reprodução. Mas numa vida cheia de orgasmos com dildões ricos e amorosos, isso seria realmente necessário?

Como homem, sugiro que os cientistas continuem trabalhando em tecnologia de guerra, criando robôs assassinos com o intuito de matar, destruir e com grande poder de fogo.

O Exterminador do Futuro e Matrix apresentam uma perspectiva muito mais confortável do uso de robôs no futuro.

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Eu só quis dizer…

11/12/2009

Fluminense 2009

Hoje é dia de inauguração no Blog do Titan!

A partir desa data nosso espaço conta com a nova sessão “Eu só quis dizer…”, uma homenagem ao grande Cirilo Rivera, o negrinho ingênuo, sonhador e apaixonado de Carrossel.

O objetivo é apresentar uma opinião Cirila sobre os fatos dos mundo, desconstruindo algumas baboseiras que temos que engolir.

Na inauguração, o Fluminense de 2009.

Fred fez muitos gols, Conca jogou muita bola, o time venceu partidas em sequência. A torcida comemorou o fim de ano como um título e a imprensa foi na onda da galera. Um final de ano excelente, certo? Errado.

Tudo o que o Fluminense conseguiu foi dar mais um vexame.

E perder, mais uma vez, um título para a LDU.

A comemoração exagerada da torcida só tem uma explicação: medo. Medo de cair DE NOVO para a Terceira Divisão caso o Fluminense fosse mesmo rebaixado.

Porque se tem um torneio que o Fluminense não sabe jogar, é a Segundona. O Fluminense já foi rebaixado DUAS VEZES pra Segunda Divisão e NUNCA saiu de lá por méritos próprios, jogando bola. Inclusive, da única vez em que disputou o torneio foi rebaixado pra Terceirona…

Comemorar vexame?? Foi isso a que o Fluminense se reduziu? Por isso que nem pras finais do Carioca o time vai mais…

Como flamenguista HEXACAMPEÃO e soberano no Estado do Rio de Janeiro, apenas lamento essa festa toda.

Eu teria vergonha…