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Piratas e a internet livre

10/08/2009

Já é discussão de muitos anos o “livre comércio” que a internet promove diariamente através de downloadas ilegais. Na última Veja saiu uma reportagem sobre internet livre e propriedade intelectual bastante interessante, que me fez pensar um pouco no assunto e gerou uma certa vontade de debatê-lo aqui no blog.

Primeiro, deixo claro: usufruo das possibilidades de aquisição que a rede proporciona, mas sou contra a violação da propriedade intelectual. É uma declaração meio paradoxal, mas então deixa eu explicar melhor: sim, baixo conteúdo gratuito na internet diariamente, mas sou contra o posicionamento das pessoas que acreditam ter o direito sobre a obra de terceiros e que entendem que tudo deve ser compartilhado, de graça, em qualquer lugar, apenas porque ficam o dia inteiro ouvindo música e vendo filmes no computador.

O que me deixa puto nessas pessoas é que não sabem pensar. Não apenas ficam 24h conectadas sem ter a capacidade de escrever uma linha de pensamento coerente e sem erros maísculos de português como não conseguem entender que, para produzir os discos e filmes a que têm acesso, são gastas boas quantias de dinheiro.

E não, dinheiro não cai do céu, nem nasce em árvore nem teu pai vai no banheiro, caga um pouco e vai fazer compras. Ele é fruto de dura labuta, muito stress e força de necessidade.

Sabe aquele laptop que teu pai te deu e que tu usa pra baixar CD da Rihanna? Custou dinheiro. Assim como teu celular, teu iPhone e a câmera digital que tu usa pra tirar fotos de calcinha pra botar no Twitter. Pois então, se teu pai fosse músico ou produtor de filmes, o download ilegal significaria uma grande perda de dinheiro para ele, ou seja, ele não teria condições de comprar geringonças eletrônicas e tu ficaria sem teu MSN, teu orkut, teu Twitter, filmes e música.

E não havendo dinheiro apenas para os músicos ou cineasta, mas também para o mercado fonográfico e cinematográfico, a produção de entretenimento desses dois setores fica seriamente comprometida.

Muitos defensores do download livre citam patrocínios e outras formas de arrecadação como uma forma de compensar a perda de receitas gerada pela troca de arquivos de graça. É algo a se estudar. Talvez exista realmente uma forma de compensar essa lacuna de lucro com fontes alternativas que não sejam vendas de CD e DVD’s e cinema. Mas aí quem tem que se mexer é a própria indústria, os estúdios e gravadoras. E hoje estes parecem mais interessados em deixar que “alguém” apareça com uma que acabe com a festa do que estudar outra forma de ganhar a grana.

Porque sim, as corporações tem grande culpa nesse processo.

Os mais novos não se lembram do que foi o surgimento do Napster. Para a indústria fonográfica, o começo do fim. Do nada, ninguém precisava pagar pra ter música, só procurava lá, baixava e ouvia feliz. Pro consumidor foi sweet. Tá, era música de graça. Mas era também mais que isso. Pra quem realmente gostava de música, ficava muito mais fácil conhecer novas bandas, artistas antigos e discos que tu só ouvia falar ou lia sobre nas revistas especializadas. Um desbunde.

Naquela época tu ainda comprava CD a rodo, mesmo com o Napster. A conexão era ruim, o processo ainda não era aperfeiçoado. Não era só baixar e gravar em CD. Mesmo assim, caminhava para isso. E, curiosamente, o que aconteceu? Os CDs ficaram ainda mais caros. Ao invés de baixarem os preços, buscando atrair consumidores para o produto que logo, logo se tornaria obsoleto, as gravadoras transformaram o disquinho num produto inalcançável, impossível de colecionar e praticamente sem vantagens sobre o concorrente pirata.

E quando tu não segura uma epidemia no começo, ela espalha. E foi exatamente o que aconteceu. Ainda hoje, anos e anos depois, o preço dos CDs é obsceno, o que me faz pensar que a indústria fonográfica simplesmente abriu mão dessa mídia e deixa disponível apenas por ser de praxe. Eu, como oriundo de uma geração um pouco mais antiga, ainda tenho o costume – e o gosto – de comprar CDs originais, mas só faço isso no natal e quando acho preços convidativos. 99% das pessoas, óbvio, não pensam assim e simplesmente baixam a vontade.

Não vou ser hipócrita de sair descascando o download gratuito. Eu mesmo já coloquei no site alguns links pra galiera baixar discos(todos muito bons, aproveite! :P), mas acho que existe um certo limite e a propriedade intelectual deve, de alguma forma, ser respeitada.

Por exemplo, se eu escrevo um livro. Eu acredito que se eu criei aquela história, aquele projeto, ele é meu. Os personagens são meus. E, se ele tiver qualidade, deve ser explorado dentro do mercado. Eu posso fazer uma carreira disso e ser muito feliz, afinal de contas, é meu trabalho, eu ralei pra produzir o material e, dentro do mercado, ganho grana com ele. Por que é que esse trabalho deveria ser gratuito?

Um monte de gente faz blog com download, bota livro pra baixar, filme e defende com unhas e dentes o compartilhamento de material. “Tudo é de todos”. Mas aí experimenta copiar algum trecho, post ou conteúdo desse site e colocar no teu sem botar o link original… aí nego vira o demonho! Aí é crime, não pode! É uma puta hipocrisia sim, senhor…

E é por isso que não vejo nenhuma necessidade em linkar o site original de onde eu pego conteúdo. Só o faço por comprometimento jornalístico ou respeito a certos autores.

Aí é que tu percebe o quando o tal “movimento” é puramente hipócrita. É uma mera liberdade baseada no princípio do “foda-se, nao é comigo”. Mas quando é, sai de baixo! Uma guerra de egos estúpida e infundada.

Como resultado temos o cenário atual: piratas querendo justificar o que todo mundo já sabe, que apenas é a obtenção de produtos de graça, grandes esmpresas estúpidas não sabendo o que fazer para não perder dinheiro e algumas pessoas tentando enfiar regras mais rígidas na internet.

Eu acredito que em alguns anos, esse vai ser o grande assunto em pauta: regulamentação da internet. Aos poucos, isso já vem acontecendo. E a velocidade com que as informações são passadas requer controle. Discernimento.

Acho que no futuro a internet vai ser toda controlada, os crimes virtuais vão ser bem definidos e as punições serão graves. Vai ter um monte de gente reclamando, mas deviam ter pensado melhor antes de sair botando a cara da Sandy em fotos pornográficas.

Baixa tudo o que tu puder hoje porque vai acabar. E fique longe de cinema e da música, a tendência é que, trabalhando nessas áreas, tu nunca vai conseguir fazer dinheiro suficiente pra comprar iPhone, câmera digital e laptop pra baixar filme de graça pela internet.

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Soneto em homenagem às damas de minha pornografia

11/06/2009

Quão despido é o meu ser

Se tão despidas quero ver

As beleza de ti, assim…

Despidas a fuder

E quão despido quero ser

Assistir tudo mais que vez

Teu corpo e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, ele, e ele, ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele, e ele…

…e ele ser igual a vezes seis